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Equilíbrio do minério resulta em forte lucro sem oferta nova

R.T. Watson

(Bloomberg) -- A maior produtora mundial de minério de ferro afirma que o setor está passando por um momento de equilíbrio, em que os preços geram um lucro interessante, mas são insuficientes para atrair muita oferta nova.

"O mercado está em um ponto de equilíbrio no momento, de US$ 60 a US$ 70", disse o diretor financeiro da Vale, Lucian Siani Pires, à Bloomberg Television, na quinta-feira. "É um preço que não incentiva o retorno de muita capacidade de reserva e é uma faixa bastante rentável para as grandes mineradoras."

Os preços do ingrediente usado na fabricação do aço estão em uma gangorra neste ano, tendo subido a quase US$ 95 em fevereiro antes de caírem para US$ 53 em meados de junho quando ressurgiu o medo em relação à oferta excedente. Agora, eles estão novamente acima de US$ 70 após um aumento na demanda das usinas siderúrgicas chinesas. Mas os preços médios provavelmente serão de US$ 50 nos últimos três meses do ano porque a queda dos preços do aço prejudica as margens das usinas, segundo o Barclays. A JSW Steel, da Índia, afirmou nesta semana que os preços podem chegar a US$ 40.

A Vale discorda. A empresa aposta que os preços permanecerão em uma faixa de US$ 60 a US$ 70 no restante do ano, respaldados pela demanda ainda "muito forte" e pela oferta "um pouco mais branda", disse Siani Pires, no escritório da Bloomberg no Rio de Janeiro.

Mais normal

Para a Vale -- e mais ainda do que para suas principais rivais australianas, a Rio Tinto e a BHP Billiton --, as diferenças nas perspectivas de preços são importantes. Cada queda de US$ 1 no minério de ferro tem um impacto de US$ 350 milhões sobre a empresa brasileira, disse o diretor. Isso, em contrapartida, afeta a capacidade da empresa de reduzir sua enorme carga de dívida de US$ 22 bilhões e de dar retorno em dinheiro aos acionistas.

Embora a perspectiva de demanda da China continue positiva, sustentada pelos investimentos em infraestrutura, o crescimento deverá retornar a níveis "mais normalizados" em relação ao ritmo atual de cerca de 5 por cento a 6 por cento, disse ele.

"Estamos positivos em relação à China e nunca concordamos com a visão de que o país entraria em colapso", disse Siani Pires.

O minério de ferro à vista com 62 por cento de teor ferroso entregue em Qingdao ficou em US$ 72,93 a tonelada na quinta-feira após atingir US$ 73,70 no início da semana, nível mais alto desde abril, segundo a Metal Bulletin. A matéria-prima subiu 13 por cento em julho após um ganho de 14 por cento em junho, reduzindo a queda deste ano.

(Atualizações para adicionar futuros no último parágrafo.)

--Com a colaboração de Peter Millard Emma Chandra e Jasmine Ng

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