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Gigante russa do petróleo apoia pressionado regime venezuelano

Elena Mazneva e Stephen Bierman

(Bloomberg) -- A maior petroleira da Rússia revelou outro pagamento antecipado à produtora estatal da Venezuela após sanção do presidente dos EUA a Nicolás Maduro, na segunda-feira.

A Rosneft pagou US$ 1,02 bilhão à Petróleos de Venezuela em abril por uma oferta futura de petróleo, informou a produtora estatal russa em seu balanço de resultados, nesta sexta-feira. A decisão ocorreu após pagamentos antecipados de cerca de US$ 1,5 bilhão em 2016 e é divulgada um dia depois de o CEO da Rosneft, Igor Sechin, prometer manter os planos de investimento no país latino-americano em crise.

O país sul-americano se transformou na maior fonte de petróleo da Rosneft fora da Rússia por meio de acordos com o falecido presidente Hugo Chávez e depois de adquirir ações de produtoras venezuelanas, sendo a PDVSA a principal, como parte da compra da TNK-BP, em 2013. As apostas em um calote da Venezuela estão aumentando em meio à turbulência política nesse país dependente de petróleo, ao colapso do preço do petróleo e à queda da produção.

"Esta é uma maneira indireta de oferecer ajuda financeira à PDVSA", disse Ovanes Oganisian, estrategista da MidLincoln Research, uma consultoria de Moscou. "Os títulos da PDVSA estão sendo negociados atualmente com rendimentos que indicam uma possibilidade muito sólida de calote."

Os EUA, que são o maior comprador do petróleo venezuelano, sancionaram Maduro pela realização de votação no fim de semana para uma nova Assembleia Constituinte. O estado socialista estaria trabalhando em um plano B para encontrar mercados para seu petróleo para o caso de a Casa Branca ampliar as medidas punitivas e proibir as importações.

Dívida desafiadora

A Rosneft detém uma participação de 49,9 por cento na subsidiária da PDVSA nos EUA, a Citgo, como garantia do empréstimo de US$ 1,5 bilhão do ano passado. Diversos parlamentares dos EUA pediram que o Departamento do Tesouro investigue o assunto, que para eles pode gerar implicações de segurança nacional se a Rosneft assumir o controle da Citgo.

O pagamento antecipado da Rosneft provavelmente não resolverá o desafio enfrentado pela PDVSA para quitar sua dívida, segundo Alexander Griaznov, analista de crédito da S&P Global Ratings em Moscou.

"Não há impacto imediato na PDVSA, já que a empresa ainda enfrenta desafios de liquidez bastante materiais com os preços atuais do petróleo", afirmou Griaznov. "A PDVSA já fez uma transação distressed no ano passado, o que constitui um calote segundo nossos critérios, e consideramos que existe uma grande probabilidade de outra transação similar no futuro."

A Fitch Ratings afirmou que o calote da dívida da PDVSA é "provável", citando a produção menor, os preços baixos de petróleo e a liquidez frágil. A petroleira estatal enviou uma carta com data de 31 de julho pedindo aos investidores em títulos uma isenção temporária dos requisitos de declaração financeira porque não conseguirá concluir os documentos no prazo.

Sechin, um aliado próximo do presidente russo, Vladimir Putin, negou ontem qualquer envolvimento da Rosneft na política venezuelana, mencionando as reservas de petróleo do país, as maiores do mundo, como motivação da empresa.

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