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Brexit ajuda a gerar boom turístico em zona rural da Irlanda

Ross Kenneth Urken

(Bloomberg) -- Três anos atrás, Kanye West e Kim Kardashian passaram a lua de mel no Castlemartyr Hotel and Resort, uma casa de campo palaciana do século 17 construída sobre as ruínas de um castelo normando do século 13. Em setembro de 2015, a propriedade de cinco estrelas e 89 hectares, localizada em uma zona rural tranquila perto de Cork, na Irlanda, foi vendida por US$ 16 milhões ao empresário britânico do setor hoteleiro Martin Shaw, que também tem uma grande participação na Old Thorns Manor, a meca do golfe de Hampshire.

Desde a venda, Shaw investiu mais e renovou tudo, do campo de golfe principal até o spa de alto nível. Mas o resort está se beneficiando mais com o Brexit mais do que com qualquer glamour fornecido por uma dupla de celebridades.

Desde a recessão de 2008, quase uma dúzia de imóveis patrimoniais como Castlemartyr foi comprada e reformada na Irlanda. O lendário Castelo de Ashford foi vendido por US$ 23 milhões ao grupo Red Carnation Hotels em 2013; o Castelo de Waterford, saído de um livro de contos de fadas com torres dignas de Rapunzel, foi vendido por US$ 7 milhões em 2015 ao investidor Séamus Walsh, da Austrália; e a Adare Manor, que parece Hogwarts, foi comprado pelo titã das corridas de cavalos J.P. McManus por US$ 30 milhões no mesmo ano.

Investidores endinheirados estavam aproveitando transações imobiliárias excelentes - compare o preço de US$ 16 milhões de Castlemartyr com os US$ 90 milhões que custou construí-lo. O capital economizado por eles nas compras se transformou em fundos generosos para reformas. E agora, após o referendo de junho de 2016 que levou ao Brexit, a incerteza sobre as futuras condições comerciais com o Reino Unido tornou prioritário o trabalho qualificado de construção e restauração de fornecedores britânicos enquanto ainda for possível.

Retornos positivos

No processo, esses charmosos castelos irlandeses que eram retiros de fim de semana ocupados por britânicos se transformaram rapidamente em resorts de alta qualidade que chamam a atenção de viajantes ricos da América e de outros lugares. E os primeiros retornos são positivos. Apesar da queda no número de visitantes britânicos, o turismo de fora da Europa está crescendo. Além disso, esses visitantes estão contribuindo mais para a economia: o gasto turístico de visitantes não europeus e não britânicos cresceu mais de 20 por cento acumulado no ano.

Contrariando os temores de que o Brexit puderia sufocar a economia local, o Fundo Monetário Internacional projeta que o produto interno bruto da Irlanda crescerá 3,5 por cento neste ano e 3,2 por cento em 2018. Pelo quarto ano consecutivo, a Irlanda será a economia que mais rapidamente cresce na União Europeia, o que aumenta a confiança no setor hoteleiro ávido por reformas. O efeito Kim e Kanye é só a cereja do bolo.

Agências de viagens afirmam que os turistas americanos reagem cada vez mais às férias rurais romantizadas vistas em programas de TV como "Downton Abbey". Eles se sentem atraídos por atividades glamorosas e antigas, como caçar com falcões, praticar tiro ao prato e andar a cavalo.

"Essas eram atividades dos ricos, e agora elas funcionam como um lembrete de status", disse Cyd Clifford, da TravelWorks, que trabalha em Houston e observou um aumento no número de clientes que pedem férias em casas de campo e castelos. "Parece que quem pode sempre quer ir mais longe. Eles sempre exigem experiências mais exclusivas."

Para entrar em contato com o repórter: Ross Kenneth Urken em New York, rurken@gmail.com.

Para entrar em contato com a editoria responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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