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Empresa de comércio eletrônico paga casamento de funcionários

Jing Cao

  • Getty Images

(Bloomberg) -- Os empresários do setor tecnológico há muito enchem os programadores e engenheiros de benefícios, como massagens gratuitas, mesas de pingue-pongue e comida à vontade, segundo a tradição do Vale do Silício.

No entanto, eles têm sido muito menos generosos com os trabalhadores da economia de bicos que embalam caixas em centros de atendimento, levam pessoas de A a B ou entregam alimentos --geralmente exigindo muito deles em troca de salários mínimos e poucos ou nenhum benefício.

Nos últimos meses, essa estratégia começou a atingir seus limites. Empresas como Handy e Instacart enfrentaram ações judiciais que alegam que os contratados devem ser considerados empregados e receber mais compensações. Trabalhadores da Tesla e da Amazon teriam desmaiado de exaustão. Motoristas da Uber têm dormido no carro.

Chieh Huang optou por fazer as coisas de forma diferente. Huang é o CEO da Boxed, uma empresa de comércio eletrônico de Nova York que pretende se tornar a próxima Costco Wholesale. A Boxed vende uma pequena seleção de itens básicos --papel higiênico, ração para animais, pasta de dente-- e conta com várias centenas de funcionários que trabalham em tempo integral em quatro centros de atendimento para classificar, embalar e despachar os produtos para clientes em todo os EUA.

Huang dá a esses trabalhadores exatamente o mesmo tratamento que a seus engenheiros. Todos os empregados em tempo integral da Boxed recebem ações da empresa --uma raridade no mundo das startups-- e licença parental (para quem se torna pai ou mãe) ilimitada.

Além disso, Huang também paga o casamento e a universidade dos filhos dos funcionários, políticas únicas que custam dezenas de milhares de dólares por beneficiário. Em comparação, uma mesa de pingue-pongue custa algumas centenas de dólares. Segundo Huang, as "pessoas que movem átomos" são tão importantes quanto quem "move bits e bytes".

Huang, de 35 anos, é um chefe fácil e acessível, à vontade tanto ao apresentar resultados trimestrais ao conselho quanto ao brincar com os funcionários que embalam as caixas. Filho de imigrantes chineses que trabalhavam em tarefas subalternas e mal remuneradas, ele sempre prometeu que trataria bem seus funcionários se abrisse uma empresa.

Huang sabe que age à contracorrente. Quando apresentou seu plano de benefícios aos investidores, ele diz que a reação de alguns foi perguntar-lhe "que diabos você está fazendo?".

Gastar dinheiro em benefícios e com um foco desproporcional no bem-estar dos trabalhadores dos depósitos pode atrasar o caminho da Boxed para chegar à rentabilidade e não agradar muito em Wall Street quando a empresa abrir o capital.

Mas a benevolência de Huang não deve ser confundida unicamente com altruísmo. A rotatividade entre os funcionários de depósitos tende a ser alta --de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, cerca de um quinto das pessoas que trabalham nos setores de armazenamento, transporte e serviços públicos abandonaram o emprego no ano passado.

Essa é a maior taxa de rotatividade em uma década e provavelmente se tornará mais aguda quando os EUA se aproximarem do pleno emprego. Ao levar em consideração o recrutamento e a capacitação, pode custar até US$ 28 mil para substituir um desses trabalhadores, segundo Hokey Min, professor da Universidade Estadual de Bowling Green.

Convencer os trabalhadores a permanecer no emprego tende a torná-los mais engajados e produtivos. E, embora seja difícil de quantificar, existe uma forte correlação entre uma cultura corporativa positiva e os resultados.

"Já vi empresas desmoronarem devido a uma cultura ruim", disse Hadley Harris, sócio da Eniac Ventures, que participou de rodadas de financiamento da Boxed. "Encontrar pessoas novas é difícil, e a rotatividade de funcionários é um dos piores empecilhos em uma empresa."

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