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Paris quer ganhar corrida por empregos bancários do Brexit

Geraldine Amiel, Francois de Beaupuy e Caroline Connan

(Bloomberg) -- O ministro da Economia e Finanças da França, Bruno Le Maire, disse que Paris vai superar Frankfurt e se tornará o principal centro financeiro da União Europeia após a saída do Reino Unido, reconhecendo que a capital francesa está tentando recuperar o atraso.

"Tomaremos decisões difíceis, reduziremos os impostos franceses, tornaremos o nosso país mais atraente", disse Le Maire em entrevista televisiva em seu escritório na região leste de Paris, com vista para o rio Sena. "Vamos ganhar a corrida."

Desde que o Reino Unido decidiu em referendo abandonar a UE, a França briga com a Alemanha e a Irlanda para conquistar uma parte do setor financeiro que planeja deixar Londres. Mas as regras rígidas para as demissões e os impostos elevados e voláteis têm prejudicado os esforços franceses -- faz apenas cinco anos que François Hollande chegou ao poder declarando que os financistas eram seus inimigos e aplicou uma taxa de 75 por cento aos maiores salários.

Como resultado, Frankfurt já recebeu aproximadamente o dobro de compromissos de realocação de grandes bancos que Paris.

Le Maire anunciou no fim do mês passado que vai eliminar um imposto sobre transações financeiras no ano que vem, afirmando que esse era um impedimento para os bancos que estavam estudando mudar para Paris. O presidente Emmanuel Macron também prometeu reduzir gradualmente o imposto corporativo para 25 por cento até o fim de seu mandato, em 2022, contra 33 por cento atualmente. O governo também está ampliando o financiamento para mais escolas bilíngues para facilitar a adaptação dos expatriados à vida francesa.

Neymar mostra o caminho

Paris espera atrair 20.000 empregos do Reino Unido com a busca das empresas por locais na UE para garantir acesso contínuo ao mercado no bloco, segundo Paris Europlace, o principal grupo de lobby financeiro da França. A França também está apresentando oferta para transformar Paris na nova casa da Autoridade Bancária Europeia, argumentando que a cidade é capaz de oferecer estabilidade e continuidade.

O HSBC, que tem um banco de varejo francês, afirmou que poderá realocar mais de 1.000 traders na capital francesa, enquanto bancos como Standard Chartered e Nomura Holdings escolheram Frankfurt. O Deutsche Bank está se preparando para transferir grandes fatias dos ativos de trading e de investment banking que atualmente contabiliza em Londres também para Frankfurt, sua cidade natal. Paris ocupa o 29º lugar no ranking do Global Financial Centres Index da Z/Yen Group, logo acima de Casablanca e atrás de Munique. Londres lidera a lista, seguida de Nova York e Cingapura.

"Muitos bancos, muitos investidores deveriam se conscientizar de que a França está mudando", disse Le Maire, citando a contratação da estrela brasileira do futebol Neymar pelo Paris Saint Germain nesta semana, um recorde mundial. "Amanhã, a França será o lugar para estar. Não apenas para o sr. Neymar, mas para todos os investidores."

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