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Vitória de Trump no Nafta depende de melhora salarial no México

Greg Quinn e Eric Martin

(Bloomberg) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou os mexicanos por roubarem empregos de seu país. Agora, ele está tentando conseguir um aumento de salário para os trabalhadores da nação vizinha.

A medida seria conveniente para os EUA. Trump quer evitar que as empresas de seu país se mudem para o México, onde os trabalhadores ganham um quarto do salário de seus colegas do país vizinho. A redução dessa diferença convenceria as empresas dos EUA a permanecerem, razão pela qual os negociadores dos EUA pressionarão por salários mais elevados e condições melhores para os trabalhadores mexicanos quando as negociações sobre a revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) forem iniciadas na semana que vem.

Considerando que os salários mexicanos são um dos mais baixos entre os dos países mais desenvolvidos do mundo, a reforma trabalhista é um objetivo importante para atender a exigência de Trump de conseguir um acordo melhor para os trabalhadores dos EUA ou para se retirar do acordo de 1994. Apesar de as autoridades mexicanas estarem dispostas a realizar algumas mudanças, os empregos e os salários se transformarão em um tema espinhoso se Trump for longe demais e usar o assunto como instrumento para reduzir o déficit comercial de US$ 64 bilhões em bens do ano passado. O México argumenta que seu custo de produção menor gera benefícios competitivos para toda a América do Norte.

O governo Trump "pressionará fortemente, e acho que com razão, os padrões trabalhistas", disse Gerardo Otero, professor da Universidade Simon Fraser, do Canadá, que publicou mais de 100 artigos ou livros sobre o México e a América Latina. "Se os preços mexicanos aumentarem devido aos aumentos salariais pode haver uma chance de reduzir a disparidade."

O Nafta originalmente incluía um acordo paralelo para proteger os direitos dos trabalhadores que nunca foi formalmente incorporado ao tratado. O governo Trump afirmou no mês passado que a incorporação das cláusulas trabalhistas à estrutura do acordo é prioritária. Os EUA já têm uma vantagem em relação ao assunto, considerando que o México concordou em realizar reformas trabalhistas como parte do acordo da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), da qual Trump se retirou pouco depois de assumir a presidência. O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, disse em entrevista em maio que a mudança da TPP é um bom ponto de partida para os EUA nas negociações sobre o Nafta.

"O país não tem nada a perder por tomar a TPP como ponto de partida e negociar a partir daí", disse Hugo Perezcano Díaz, ex-chefe de práticas comerciais do Ministério da Economia do México e vice-diretor do Centro para Inovação da Governança Internacional, em Waterloo, Ontário, no Canadá.

Embora as regras trabalhistas rígidas e as negociações a respeito da redução do déficit comercial possam ser uma vitória a curto prazo para Trump, o verdadeiro impulso para os EUA seria a implementação de mudanças mais profundas que tornem os três países mais competitivos, disse ele.

--Com a colaboração de Andrew Mayeda

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