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Investidores quantitativos pedem dados a bancos e geram reflexão

Dani Burger

(Bloomberg) -- A demanda insaciável por dados de mercado únicos está colocando os bancos em uma situação complicada.

Os investidores quantitativos, famintos por sinais que possam ser transformados em ouro, estão pressionando as instituições financeiras com as quais trabalham para que lhes concedam acesso a informações confidenciais. É fácil ver o porquê. Em um mundo no qual cada pedaço de informação de inteligência disponível publicamente é rapidamente processado e se transforma em ação, as vantagens de investimento podem se evaporar rapidamente. No jargão dos investidores quantitativos, o alfa é arbitrado.

Então, para ganhar uma vantagem competitiva, alguns investidores sistemáticos estão fazendo experimentos com fontes peculiares, como imagens de satélite ou transações de cartões de crédito. Outros, no entanto, veem um recurso inexplorado em Wall Street em conjuntos de dados obscuros que já existem, mas que podem não estar prontamente disponíveis -- como o número de clientes que leem relatórios de pesquisa.

Em um momento em que o clamor por informações novas e valiosas se torna ensurdecedor, os bancos buscam um equilíbrio. Como oferecer dicas úteis sem entregar informações sensíveis?

"O buy side está atrás desses dados há tempos, mas agora o impulso está se tornando ainda mais penetrante em todo o setor, já que tudo é arbitrado", disse Benjamin Dunn, presidente de prática de consultoria de portfólio da Alpha Theory, que trabalha com gerentes que supervisionam cerca de US$ 200 bilhões. "Há uma disposição no lado da pesquisa de conceder os dados, mas é o lado do compliance e do jurídico que os estão segurando."

'Extrassensíveis'

No Credit Suisse, esse equilíbrio recaiu em parte no novo chefe de pesquisa de ações quantitativas, Matthew Rothman. O Credit Suisse contratou Rothman da Acadian Asset Management no ano passado para atender sua crescente clientela de investidores quantitativos.

Familiarizado com o apelo dos dados inexplorados, Rothman e sua equipe estão estudando a possibilidade de monetizar dados úteis solicitados pelos clientes. Mas ainda estão nos estágios iniciais, avançando lentamente enquanto avaliam quais informações seria apropriado compartilhar, disse ele.

"Entendemos por que os clientes estariam interessados nesses dados, mas somos extraordinariamente sensíveis a todas as preocupações de nossos clientes a respeito do que é apropriado compartilhar", disse Rothman, em entrevista na sede da Bloomberg, em Nova York. "Concordamos que existe um potencial alfa, mas a pergunta é a quem pertence esse alfa. Estamos tentando ser úteis e ao mesmo tempo extrassensíveis."

Para proteger alguns clientes e servir a outros os bancos estão estudando maneiras de tornar seus conjuntos de dados anônimos sem torná-los inúteis. Entre as opções está oferecer números agregados ou publicá-los com atraso. Mas as duas alternativas podem não ser boas o suficiente para alguns investidores.

"Certamente existem bancos que entregam alguns dados, mas normalmente não vemos bancos chegando a detalhes de nível de segurança", disse Dunn. "Ao encontrar alguns deles, se nota que eles têm uma propriedade interessante e dados de fluxo, mas que estão tentando descobrir qual é o nível certo de agregação."

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