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Lance chinês por bolsa de Chicago testa desejo por IPOs nos EUA

Ben Bain e Annie Massa

(Bloomberg) -- Já tendo atuado como advogado em Wall Street, o atual presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, Jay Clayton, faz questão de esclarecer que pretende facilitar as captações por meio da venda de ações.

Porém, o comandante da SEC (Securities and Exchange Commission) provavelmente não sabia que seu primeiro teste seria tão politizado. Trata-se de um conglomerado chinês com pouca experiência no setor financeiro liderando um grupo de investidores que pretende comprar a Bolsa de Valores de Chicago.

O objetivo do grupo é transformar a Chicago Stock Exchange de bolsa pouco lembrada em destino para empresas de pequeno valor de mercado interessadas em listar ações. No entanto, no mês passado, parlamentares dos dois grandes partidos americanos pediram conjuntamente que Clayton rejeitasse a oferta. Até mesmo o presidente Donald Trump criticou a aquisição planejada, se referindo ao negócio como um exemplo da perda de competitividade dos EUA.

A SEC, que supervisiona as bolsas do país, tem até quarta-feira para aprovar ou não a aquisição. A principal compradora é a Chongqing Casin Enterprise Group, especializada em investimentos imobiliários e estações de tratamento de esgoto.

Quem apoia a operação, incluindo a própria bolsa de Chicago, argumenta que os novos proprietários vão disponibilizar uma plataforma muito necessária para aberturas de capital, cujo número vem diminuindo nos EUA há duas décadas. O argumento do lado oposto é que os órgãos reguladores terão pouca visibilidade sobre como uma entidade estrangeira administra a operação e que a bolsa de Chicago pode ser usada como plataforma para empresas chinesas com finanças questionáveis tirarem vantagem de investidores americanos.

Clayton, a Chicago Stock Exchange e a Casa Branca se recusaram a fazer comentários para esta reportagem.

Em dezembro, a proposta foi considerada satisfatória pelo Comitê de Investimento Estrangeiro dos EUA, que avalia o risco de segurança em aquisições envolvendo empresas estrangeiras. A SEC vem adiando a decisão, usando o prazo máximo permitido para revisar o lance da Casin.

'Questão séria'

Clayton assumiu a presidência da SEC em maio. Embora não tenha dado sua opinião sobre o acordo publicamente, ele disse que a redução no número de empresas de capital aberto nos EUA é "uma questão séria para nossos mercados e para o país". Quando trabalhava como advogado no setor privado, ele atuou na abertura de capital (initial public offering ou IPO) da Alibaba Group Holding nos EUA, que captou uma quantia recorde.

O momento final da decisão da SEC coincide com o aumento da tensão política e econômica entre Washington e Pequim.

Em carta enviada em 10 de julho, um grupo de 11 deputados alertou que a SEC talvez não consiga monitorar o relacionamento entre a Casin e o governo chinês, inclusive no tocante a conflitos de interesse. De acordo com o texto enviado a Clayton e colegas da SEC, uma potência estrangeira pode exercer influência indevida sobre uma grande bolsa nos EUA.

"É muita inocência afirmar que os chineses não terão influência" se o acordo for aprovado, disse o deputado republicano que lidera o grupo, Robert Pittenger. "Estou tentando proteger os interesses dos americanos, particularmente em relação a nossas preocupações de segurança."

A Chicago Stock Exchange repetiu várias vezes que essa postura visa espalhar medo, adicionando que preocupações relativas a segurança nacional teriam sido reveladas pelo comitê. A bolsa também declarou que não existe conexão entre a Casin e o governo chinês.

--Com a colaboração de Charlotte Chilton e Toluse Olorunnipa

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