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Sanofi vê chance de alcançar rivais em corrida contra câncer

James Paton

(Bloomberg) -- Sanofi, a companhia farmacêutica que ficou para trás na corrida para desenvolver uma nova geração de remédios contra o câncer, vê uma oportunidade de alcançar concorrentes de peso depois dos obstáculos enfrentados por alguns deles, como a AstraZeneca e a Bristol-Myers Squibb.

O laboratório quer ser o próximo a levar ao mercado um tratamento primário para pacientes com câncer de pulmão em uma classe de imunoterapias conhecidas como inibidores PD-1, disse Elias Zerhouni, presidente de pesquisa e desenvolvimento globais, em entrevista por telefone na sexta-feira. Atualmente, Keytruda, da Merck & Co., é o único tratamento de primeira linha aprovado, após obter autorização em maio para tratar a forma mais comum da doença.

As ambições da Sanofi refletem uma possível mudança em um mercado de remédios cada vez mais cheio que deve gerar US$ 25 bilhões em vendas em poucos anos. O surpreendente fracasso da AstraZeneca no mês passado - um ano depois de um revés parecido da Bristol-Myers - mostra que os primeiros remédios a sair talvez não ganhem a disputa, e os médicos pressionam por mais pesquisas. Merck e Roche Holding estão entre os líderes atuais, mas vários laboratórios, como Pfizer e Novartis, estão criando tratamentos para aproveitar o sistema imunológico.

"Não é uma corrida até uma meta e pronto, você ganhou", disse Zerhouni. "O campo da imuno-oncologia atravessará turbulências e mudanças de posição nos próximos 20 anos."

Riscos

Há muito em jogo para as empresas que desenvolvem os remédios mais avançados. As ações da AstraZeneca sofreram a maior queda da história, que apagou US$ 14 bilhões do valor de mercado em um único dia quando a empresa divulgou o estudo malsucedido. No caso da Bristol-Myers, decepções com seus principais remédios contra o câncer ajudaram a apagar mais de um quinto do valor de mercado ao longo de um ano e alimentaram a especulação sobre uma possível venda da empresa.

Um teste avançado que avalia o tratamento da Sanofi para o câncer de pulmão começou em maio, segundo a empresa com sede em Paris, que está desenvolvendo o tratamento com sua sócia americana, a Regeneron Pharmaceuticals. O teste pode demorar quatro anos para terminar, segundo um documento apresentado. A Sanofi também pretende solicitar no primeiro trimestre de 2018 a aprovação dos órgãos reguladores dos EUA para o tratamento de uma forma de câncer de pele.

"Estamos tentando alcançar o ritmo e obter resultados iguais, ou até melhores", disse Zerhouni. "Além disso, temos tratamentos combinados que, esperamos, nos permitirão dar um salto gigantesco em algumas áreas."

A Sanofi está empenhada em revigorar sua divisão de oncologia, que era impulsionada por grandes sucessos como Taxotere e Eloxatin, mas observou uma queda nas vendas quando as patentes dos remédios venceram. Uma das iniciativas da empresa foi uma tentativa de comprar a Medivation, uma fabricante americana de medicamentos contra o câncer, no ano passado, mas a empresa perdeu para a Pfizer.

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