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Santander Brasil compra empresa de recuperação crédito, diz Rial

Felipe Marques e Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- O Banco Santander Brasil comprou uma empresa de recuperação de crédito para ampliar receitas diante do cenário de queda dos juros básicos no País, disse seu presidente.

"Os bancos precisam repensar o seu modelo de negócio", disse Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil, em ampla entrevista concedida na semana passada na sede do banco em São Paulo, na qual ele discutiu a aquisição da Ipanema Credit Management, concluída em julho. "O Santander está agregando experiência, tecnologia, a uma área na qual já foi pioneiro."

As consequências da pior recessão da história do Brasil têm atraído um número crescente de companhias ao mercado de empréstimos inadimplentes e outros ativos problemáticos. No ano passado, o Itaú Unibanco adquiriu a Recovery do Brasil, maior empresa de gestão de créditos inadimplentes da América Latina. A Lone Star Funds, com sede em Dallas, nos EUA, está comprando a Apoema Capital Partners, uma firma brasileira que administra cerca de R$ 4,5 bilhões (US$ 1,4 bilhão) em ativos inadimplentes, informou uma pessoa com conhecimento do assunto em abril.

As perspectivas de recuperação do crédito inadimplente melhoraram com a economia do País, que se expandiu no primeiro trimestre após dois anos consecutivos de contração. "O chão parou de cair", disse Rial, que normalmente deixa de lado o estereótipo conservador dos banqueiros brasileiros evitando gravatas e preferindo um estilo "business-casual".

"A inflação mais baixa representa um aumento real da renda das famílias e as reduções da taxa de juros ajudam a estimular a economia", disse ele, que também elogiou a "responsabilidade fiscal" do governo. Com a aproximação das eleições do ano que vem "é muito importante um processo de continuidade", disse ele.

Vendas de empréstimos

O presidente preferiu não comentar sobre o preço que o Santander Brasil pagou por 70 por cento da Ipanema, que tem sede em São Paulo e conta com cerca de 30 funcionários.

A compra não significa que o Santander Brasil, um dos pioneiros da venda de carteiras de crédito inadimplentes ao mercado, sairá desse negócio, disse Rial. A empresa recentemente vendeu R$ 1,3 bilhão em empréstimos com pagamentos em atraso a investidores brasileiros, disseram pessoas com conhecimento do assunto em maio.

A compra da Ipanema se encaixa na estratégia de Rial de fazer o banco avançar à máxima velocidade, por vezes repassada aos funcionários de forma inusitada. Na reunião de fim de ano da empresa em 2015, o presidente subiu ao palco vestido dos pés à cabeça com o icônico macacão vermelho e branco de um piloto de Fórmula 1 da Ferrari e disse: "Acelera, Santander".

Rial, que recomenda que todos os funcionários leiam um livro chamado "Organizações Exponenciais: Porque elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua (e o que fazer a respeito)", não desacelerou muito com a recessão no Brasil e o subsequente aumento da taxa de inadimplência dos clientes. A margem de juros e o lucro do banco, que respondeu por 26 por cento dos ganhos de sua matriz espanhola no primeiro semestre do ano, subiram em todos os trimestres desde que Rial assumiu a presidência, em janeiro de 2016.

"Eu acredito que navegar na crise pode ser uma ótima oportunidade, como dizem os chineses", disse ele.

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