Após término de namoro, Estácio quer a melhor margem do setor

Christiana Sciaudone e Fabiola Moura

(Bloomberg) -- A segunda maior empresa de educação do Brasil está tentando compensar anos de desempenho inferior ao da concorrência.

Segundo o presidente executivo Pedro Thompson, a Estácio Participações pretende ampliar a margem de lucro em até 50 por cento e se aproximar dos níveis exibidos por rivais como a Kroton Educacional ? que tentou comprá-la recentemente, sem sucesso.

A margem Ebitda da Estácio (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) bateu recorde no trimestre passado, em 27,8 por cento. A margem da Kroton chega a 43,6 por cento e a da Ser Educacional a 31,6 por cento.

"Temos muitas metas fáceis de atingir no curto prazo", afirmou Thompson, 33 anos, em entrevista realizada no escritório da Bloomberg em São Paulo. "Antes de pensarmos em novos negócios, em crescimento não orgânico, precisamos eliminar a diferença em relação ao setor."

A meta dele é que a margem Ebitda atinja cerca de 35 por cento em 12 a 18 meses. Os resultados do segundo trimestre já refletiram os esforços do alto escalão: o lucro líquido chegou a R$ 166,3 milhões, superando a estimativa média dos analistas de R$ 106,7 milhões. A receita de R$ 913,4
milhões também ficou acima do previsto.
O desempenho fraco foi um dos motivos para a Kroton e companhias como a Ser terem tentado comprar a Estácio, afirmou o presidente do conselho de administração, João Cox, durante a mesma entrevista. Desde que o acordo foi barrado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica em junho, a Estácio focou na melhora dos resultados, da eficiência e da qualidade dos alunos, além da redução da evasão.

Thompson declarou que fusões e aquisições não têm papel central na estratégia de curto prazo, mas não estão totalmente descartadas.

"Podemos dobrar o valor da companhia, mas se enxergarmos uma fusão ou aquisição estratégica, nós faremos", disse Cox, que, durante a entrevista, checou diversas vezes o valor da ação da Estácio em seu Apple Watch. As ações acumulam valorização de 30 por cento desde que o acordo foi vetado pelo Cade, em 28 de junho.
A empresa sediada no Rio de Janeiro agora tem 51 alunos por professor, comparado a uma razão anterior de 38 para um. A nova postura é selecionar mais os alunos aceitos, de modo a evitar a evasão de pessoas que frequentemente não conseguem pagar a mensalidade. A empresa também esta ampliando o número de polos de ensino à distância para o limite máximo de 250 por ano. No entanto, a Estácio, que tem mais de 500.000 alunos matriculados, não abrirá novos cursos.

--Com a colaboração de Jessica Brice

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