Diretora do Facebook defende demissão a quem comete assédio sexual

Sarah Frier e Emily Chang

  • AP

(Bloomberg) -- A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, disse que ninguém deveria ter que trabalhar com medo de assédio sexual e que uma forma de eliminar esse medo é que as empresas tenham uma política de tolerância zero para esse tipo de comportamento.

"Eu acho ótimo quando as pessoas perdem o emprego quando isso acontece, porque acho que é o que vai levar as pessoas a não fazerem isso no futuro", disse Sandberg, em entrevista a Emily Chang, da Bloomberg Television. "Acho que isso é um desafio da liderança. Como líder de uma empresa, não pode haver tolerância para isso."

Sandberg, uma das executivas de maior destaque do setor de tecnologia, se posicionou em um momento em que o Vale do Silício enfrenta um número cada vez maior de escândalos de assédio -- que levou à demissão de capitalistas de risco e de executivos da Uber e de outras empresas. "É abominável que ainda exista isso nesta era", disse Sandberg -- mas acrescentou que isso não significa que as empresas envolvidas não tenham salvação.

A Uber, que foi criticada por uma cultura que, dizem alguns, não pune discriminação e assédio, está à procura de um novo CEO depois que seu conselho de administração demitiu o cofundador Travis Kalanick. Sandberg disse que não quer o posto mais alto da empresa de carona compartilhada, mas deu um conselho para quem assumir a vaga.

"As pessoas respondem ao que é tolerado e ao que é encorajado", disse ela. "E acho que um grande líder pode mudar a cultura, penso eu, de quase qualquer empresa em praticamente qualquer situação. Você aplica novas políticas, você aplica novos procedimentos, sua linguagem é diferente; eu sempre sou otimista."

Sandberg, que construiu a divisão de publicidade do Facebook, também é conhecida como uma defensora das mulheres no ambiente de trabalho após escrever um livro de sucesso em 2013, "Faça Acontecer - Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar" ("Lean In: Women, Work, and the Will to Lead"). A Uber procura alguém como Sandberg, capaz de tirar a empresa de sua cultura machista e construir uma empresa influente e bem-sucedida.

Sandberg deu a entrevista antes do surgimento da controvérsia relacionada às mulheres na tecnologia no Google, seu ex-empregador. Um engenheiro de software publicou um memorando criticando os esforços da gigante das buscas para diversificar sua equipe, afirmando que diferenças biológicas entre homens e mulheres são responsáveis, em parte, pela escassez de mulheres em trabalhos no setor de tecnologia. O memorando desencadeou um debate acalorado, tanto internamente como fora da empresa, que levou o Google a demitir o autor do texto na segunda-feira.

Mais cedo naquele dia, quando o debate sobre o memorando se desenrolava, Sandberg respondeu sobre o assunto com uma publicação no Facebook dizendo que "a desigualdade no setor de tecnologia não se deve às diferenças de gênero. Deve-se a estereótipos culturais que persistem. Todos nós precisamos fazer mais".

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