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Hollywood terá a pior bilheteria de verão em uma década

Kyle Stock

(Bloomberg) -- O verão sem graça de Hollywood já está quase acabando.

A receita de bilheteria dos EUA para esta temporada está 11 por cento abaixo da receita do ano passado e nenhum dos grandes lançamentos que virão deve conseguir mudar esse rumo. Na verdade, a situação dos estúdios dos EUA provavelmente vai piorar antes do último trimestre. Sem nenhuma grande estreia durante o fim de semana do Dia do Trabalho americano, em 4 de setembro, a BoxOffice Media prevê que a indústria cinematográfica terminará o verão de 2017 com uma queda de até 15 por cento nas vendas. Esse é um cenário de filme de terror, que significa que aproximadamente um de cada seis cinéfilos americanos preferiu ficar em casa assistindo "Game of Thrones" por streaming.

"É uma zona morta", disse Jeff Bock, analista sênior de bilheteria da Exhibitor Relations. "Nas próximas três semanas, vai haver muito pessimismo."

Não é que não havia nada de bom para assistir. De acordo com as críticas dos 10 filmes de maior bilheteria da temporada, a atual lista de candidatos foi uma das mais elogiadas da década. Encabeçada por "Mulher-Maravilha" e repleta de queridinhos da imprensa, como "Dunkirk" e "Em Ritmo de Fuga", os filmes mais assistidos da temporada tiveram uma pontuação média de 72 no Rottentomatoes.com, um site que reúne críticas. Apenas dois outros verões desde 2007 tiveram uma nota tão alta.

O problema para os grandes estúdios é que alguns desses filmes não deveriam estar no topo da lista, em termos de dinheiro. Muitos dos filmes repletos de efeitos especiais e das comédias atrevidas que faziam sucesso nas salas de cinema nos dias de calor fracassaram rotundamente.

"Tivemos um dos melhores verões em termos de conteúdo", disse Paul Dergarabedian, analista sênior da ComScore. "Filmes menores foram muito lucrativos e filmes que correram riscos foram recompensados." Tradução: os filmes barulhentos e cheios de explosões que seguem fórmulas fracassaram.

Considere a franquia "Transformers", historicamente imune aos ataques da crítica. Durante os últimos dez anos, quatro desses filmes resistiram a classificações terríveis, entraram com tudo nos cinemas e saíram com grandes sacos de dinheiro. O segundo filme da franquia -- com uma taxa de aprovação de 19 por cento -- ficou em segundo lugar no ranking de receita de 2009, atrás somente de "Avatar".

Não foi o que aconteceu neste ano. Atacado pela habitual imprensa negativa, "Transformers: O Último Cavaleiro" cambaleou desde o princípio e mal conseguiu arrecadar metade da receita doméstica obtida pelo filme anterior da série. Ele foi derrotado por "Dunkirk", um drama militar da Warner Bros. com uma reviravolta temporal do diretor Christopher Nolan -- cuja realização custou menos da metade.

O enredo foi parecido nos filmes previsivelmente ruins, como "Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar", "A Múmia" e uma série de comédias para adultos encabeçada por "Baywatch: S.O.S. Malibu".

"As continuações geralmente são a rede de segurança da indústria e essa rede de segurança não está segurando mais", disse Bock. "Há uma grande ruptura na maneira em que Hollywood faz negócios."

Ao mesmo tempo, as poucas produções de grande orçamento que conseguiram conquistar boas críticas, como "Mulher-Maravilha" e a última versão de "Homem-Aranha", foram recompensadas.

Para entrar em contato com o repórter: Kyle Stock em Nova York, kstock6@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editoria responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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