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Antídotos da era da heroína não funcionam para drogas sintéticas

Justin Mattingly

(Bloomberg) -- Ralph Battels entendeu tudo quando um de seus pacientes acordou e tentou lhe dar um soco na cara. Uma única dose de naloxona já não é o bastante.

Na cidade do Colorado onde ele trabalha como médico de pronto-socorro, os dependentes químicos consomem opioides tão incrivelmente potentes que, em alguns casos, o agente de reversão de overdose precisa ser aplicado duas ou três vezes - ou mais - para reanimá-los e tranquilizar o barato deles, às vezes violento. O orçamento do Pagosa Springs Medical Center está sofrendo um abalo inesperado, mais uma vítima de uma devastadora epidemia nacional.

"É um problema que, francamente, deveríamos poder controlar", disse Battels. "Mas é um grande desafio. Está em todos os lugares."

Hospitais e agências de atendimento de emergência nos EUA estão gastando mais no componente químico capaz de bloquear os efeitos dos analgésicos e da heroína diante da popularização de opioides sintéticos superfortes, como fentanil e carfentanil. Além de ter que aplicar mais doses do remédio em muitos casos, o preço de algumas marcas de naloxona tem subido.

"Você tenta equilibrar os custos dos produtos com o atendimento - e isso cria problemas evidentes", disse Nilay Shah, consultor da Divisão de Políticas Sanitárias e Pesquisa da Mayo Clinic e um dos autores de um estudo publicado no New England Journal of Medicine que alertou que o aumento dos custos é uma ameaça a iniciativas para salvar vidas.

O número de pacientes que recebe várias doses de naloxona aumentou mais de 25 por cento desde 2012, de acordo com uma pesquisa publicada em maio pela Associação Nacional de Médicos de Serviços de Emergência. Alguns centros médicos reforçaram as doses de rotina só por segurança. Por exemplo, o Danbury Hospital, em Connecticut, passou a aplicar doses de quatro miligramas de Narcan, da Adapt Pharma, em vez de dois miligramas. Alguns não conseguem acompanhar o ritmo: o St. Vincent Hospital, em Leadville, Colorado, recentemente ficou sem estoque e precisou pedir emprestado de um local próximo.

Obrigação legal

Tudo isso esgota os recursos de assistência médica. Na Flórida, o departamento de Serviços Médicos de Emergência do Condado Manatee aplicou 432 doses de Narcan em junho, em comparação com apenas nove no mesmo mês de 2013, com um incremento de 650 por cento no custo, para US$ 109.650.

"Observamos oscilações de diversos sintéticos, e alguns deles exigem múltiplas doses para reanimar o paciente", disse Paul DiCicco, chefe do departamento. Os opioides sintetizados, muitas vezes fabricados ilegalmente e vendidos pela internet, podem ser dezenas de vezes mais fortes que a heroína.

As equipes dos serviços de emergência economizam dinheiro comprando a naloxona mais barata disponível e dosadores nasais de baixo custo, em vez de adquirir o medicamento em injetores com doses já preparadas. No entanto, elas têm uma obrigação legal, e ética, de tentar salvar vidas a qualquer custo.

"Não dá para não responder a uma ligação de emergência", disse Brent Myers, presidente da Associação Nacional de Médicos de Serviços de Emergência. "E, quando você chega lá, não dá para deixar de realizar um procedimento que salva vidas."

Para entrar em contato com o repórter: Justin Mattingly em N York, jmattingly2@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editoria responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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