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Mizuho mira alunos de fora com fundo para alojamentos no Japão

Gareth Allan, Katsuyo Kuwako e Kathleen Chu

(Bloomberg) -- O Mizuho Financial Group está criando um fundo para construir alojamentos para lucrar com a falta de acomodações para o crescente número de estudantes internacionais das universidades do Japão.

O megabanco com sede em Tóquio fornecerá cerca de 15 por cento dos 10 bilhões de ienes (US$ 91 milhões) do fundo em ações e Marubeni, Tokyo Tatemono e outros investidores nacionais e estrangeiros contribuirão com o restante, disse Shu Takata, vice-gerente geral do departamento de finanças imobiliárias do Mizuho, em entrevista. O fundo destinará essas ações, além de cerca de 10 bilhões de ienes em dívidas, à construção de dormitórios, disse ele.

"Abordamos cerca de 50 universidades nacionais desde março e temos discussões específicas em andamento com cerca de 10", disse Takata. "Quase todas as universidades estão nos dizendo que não têm acomodações suficientes para estudantes estrangeiros."

O número de estudantes estrangeiros tem aumentado no Japão porque o governo está focando nos alunos internacionais com a esperança de que eles permaneçam para trabalhar no país. O plano ajudaria a aliviar o aperto no mercado de trabalho, onde há 15 ofertas de emprego para cada 10 candidatos -- a proporção mais alta desde a década de 1970.

O governo japonês informou que deseja ampliar o número de estudantes estrangeiros para 300.000 até 2030. Isso representaria um aumento de 25 por cento em relação aos 239.287 estudantes internacionais que o país tinha em 1º de maio de 2016, mostram os últimos dados da Associação de Serviços a Estudantes do Japão.

Cerca de um quarto dos estudantes estrangeiros no Japão moram em alojamentos estudantis, segundo dados da associação, número que Takata diz ser limitado pela falta de propriedades adequadas. O Mizuho espera ter cerca de três projetos iniciados no fim de março de 2018 e investir em um total de cerca de 10 até março de 2020, disse ele.

Acomodações para estudantes normalmente oferecem melhores retornos do que escritórios e imóveis residenciais, o que as transforma em um ativo atraente para instituições que buscam renda estável e maiores rendimentos em um mundo de baixo retorno. O Mizuho e seus dois maiores concorrentes domésticos têm buscado formas de reforçar os lucros, afetados pela política de taxa de juros negativa do banco central do país, tentando expandir-se principalmente em negócios no exterior que rendam comissões.

Os rendimentos dos investimentos em alojamentos serão de "pelo menos 5 por cento", disse Takata, acrescentando que o fundo pode considerar a compra e a reforma de propriedades existentes e também novos desenvolvimentos. A taxa contrasta com o retorno médio de 0,87 por cento sobre empréstimos e títulos descontados no Japão nas duas principais unidades bancárias do Mizuho no trimestre de março.

O fundo planeja alugar terrenos, principalmente de universidades nacionais, para desenvolver os alojamentos aproveitando uma mudança na legislação ocorrida em abril deste ano que expandiu as possibilidades de exploração de terrenos pelas universidades.

As propriedades concluídas serão alugadas às universidades e operadas por uma empresa de gestão que sublocará quartos mobiliados para estudantes a preços entre 30.000 ienes e 80.000 ienes por mês, disse Takata.

Takata disse que o fundo buscará abandonar os investimentos após cerca de cinco anos por meio de vias que incluem trusts de investimento imobiliário privados (Reit, na sigla em inglês) oferecidos a um grupo de investidores. Outra opção que o banco pode considerar é listar um Reit maior e incluir outros ativos, como bibliotecas, disse Takata.

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