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Lufthansa quer comprar rotas de baixo custo da Air Berlin

Richard Weiss e Christopher Jasper

(Bloomberg) -- A insolvência da Air Berlin poderia possibilitar que a Deutsche Lufthansa incorpore novos centros para voos intercontinentais e deixaria que a EasyJet, especializada em voos baratos de curta distância, fortaleça sua presença na capital alemã.

As bases que a debilitada aérea tem em Berlim e Dusseldorf dariam à Eurowings, o braço de baixo custo da Lufthansa, uma chance de expandir a rede de longa distância que atualmente se limita ao aeroporto de Colônia-Bonn e a uma operação incipiente em Munique. Ao mesmo tempo, os slots em Berlim utilizados para voos de curta distância poderiam ajudar a EasyJet a reduzir a distância com a Ryanair Holdings na maior economia da Europa.

A Air Berlin fez um pedido de recuperação judicial na terça-feira porque sua maior acionista, a Etihad Airways, de Abu Dhabi, deixou de financiar a operadora deficitária, que dependerá de um empréstimo do governo para continuar voando nos próximos três meses. A Lufthansa, a maior empresa aérea da Alemanha e a terceira maior da Europa, revelou que estava negociando a compra de partes de sua rival nacional, e a EasyJet também manifestou interesse, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Uma transação poderia ser "muito atraente" para a Lufthansa se ela conseguir adquirir elementos da Air Berlin, que tem 8.600 funcionários, sem assumir as dívidas ou os contratos do pessoal da empresa, disseram em uma nota analistas da Sanford C. Bernstein & Co., entre eles Daniel Roeska. Além disso, há uma "lógica estratégica" por trás da iniciativa da EasyJet, e a operadora britânica tem o modelo de negócios para fazer com que uma transação dê certo, disseram eles.

Partes

A Lufthansa, que provavelmente não conseguirá comprar a totalidade da Air Berlin por causa das leis antimonopólio, estabeleceu laços fortes com sua antiga arquirrival desde que fechou um acordo para alugar por seis anos 38 dos aviões da série A320 da Airbus, com suas respectivas tripulações, da operadora de menor porte. Cerca de 33 dessas aeronaves serão utilizadas na Eurowings e cinco na divisão Austrian Airlines.

Para a EasyJet, adquirir partes da divisão de viagens de curta distância da Air Berlin ajudaria a recuperar território perdido na Alemanha, onde ela está muito atrás da Ryanair. Em junho, a empresa com sede em Luton, Inglaterra, anunciou que fechará uma base em Hamburgo, onde tem quatro aviões da série A320, no final da temporada do verão boreal, e manterá apenas sua operação em Berlim, que emprega 12 aeronaves.

O desmantelamento da Air Berlin poderia ocorrer rapidamente, segundo Roeska, da Bernstein. A Lufthansa deseja reforçar suas defesas contra as aéreas de baixo custo e o governo alemão está ansioso para proteger empregos em um ano eleitoral.

Se isso não ocorrer, a Alemanha poderia se transformar em "um alvo claro para um ataque iminente" das aéreas de baixo custo, disse ele. "Se não houver acordo e a Air Berlin colapsar, a Lufthansa enfrentará uma grande brecha de capacidade no mercado alemão justo no momento em que a Ryanair quer levar a cabo sua ambiciosa expansão."

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