Mineradores de carvão dos EUA lutam para entrar no fracking

Daniel Flatley

(Bloomberg) -- Robert Dennis extrai carvão na Virgínia Ocidental há 10 anos, mas algumas noites atrás ele assistiu a uma aula na faculdade comunitária local para conhecer as oportunidades do fraturamento hidráulico (fracking), uma técnica de perfuração utilizada para produzir gás natural -- o combustível que está ameaçando o futuro do carvão.

"Eu sei tudo sobre mineração", disse Dennis, um chefe de turno de 41 anos do condado de Wetzel, enquanto arruma o boné preto da Adidas na cabeça. Mas agora, "eu quero mais opções".

Ele tem um diploma em operações químicas e industriais e está procurando emprego em agências de trabalho e já preencheu muitos formulários. Mas até agora não conseguiu nada.

Dennis está aprendendo uma dura lição sobre o fracking: apesar do sistema ter gerado muitos empregos, muitas vezes os mineradores de carvão deslocados e suas comunidades ficaram fora do boom. Isso acontece porque muitos desses empregos exigem uma alta qualificação técnica e muitas vezes eles são preenchidos por trabalhadores com experiência trazidos de fora do estado, que depois se mudam para o emprego seguinte sem criar raízes.

"Existem efeitos positivos em empregos e salários", disse Timothy M. Komarek, professor de Economia da Old Dominion University na Virgínia. Mas eles "não são tão grandes quanto se pensava quando o boom começou", disse ele.

Má notícia

Komarek concluiu em um estudo de 2016 que o emprego total em um condado aumenta 7 por cento e os salários crescem 11 por cento nos três anos seguintes à chegada do fracking -- mas depois os ganhos diminuem.

Essa é uma má notícia para cidadezinhas como New Martinsville, no condado de Wetzel, onde Dennis foi à aula da faculdade comunitária. As minas de carvão oferecem décadas de emprego garantido e sustentam comunidades, mas uma equipe de fracking pode abrir um poço em um mês e deixar máquinas automatizadas para liberar o petróleo e o gás.

O Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA não contabiliza especificamente os empregos em fracking, mas afirma que havia mais de 422.000 empregos ligados diretamente à extração de petróleo e gás nos EUA no fim de 2016. Esse número é muito maior do que o de empregos em mineração subterrânea de carvão: cerca de 50.000 em todo o país, frente a 200.000 na década de 1970.

Habilidades

Curt Hippensteel, diretor do programa de tecnologia de petróleo da West Virginia Community College, disse que os mineradores têm habilidades que podem ser bem aplicadas em outras profissões, incluindo treinamento em segurança, soldagem e trabalho com eletricidade. Além disso, os mineradores estão acostumados a trabalhar muitas horas em condições austeras, característica que se encaixa muito bem no perfil de trabalho duro, disse ele.

Mas o fracking, que exige a aplicação de medições precisas de produtos químicos, areia e água aplicados sob pressão extrema em momentos específicos, exige seu próprio conjunto de habilidades.

Para entrar em contato com o repórter: Daniel Flatley em Washington, dflatley1@bloomberg.net.

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