Oferta de lítio se complica com chegada da revolução elétrica

Laura Millan Lombrana e Jonathan Gilbert

(Bloomberg) -- Dentro das salinas da Cordilheira dos Andes, na América do Sul, estão escondidos vastos depósitos do lítio que Elon Musk pode precisar para sua revolução dos carros elétricos. Mas a extração do mineral das lagoas de salmoura criadas pela Orocobre é mais difícil que o esperado.

Devido ao clima ruim e a falhas técnicas na bomba, a produção na instalação de Olaroz, no norte da Argentina, foi 21 por cento inferior à meta inicial da Orocobre neste ano até junho. A situação está voltando a se encaminhar, mas o CEO Richard Seville afirma que a empresa "subestimou a complexidade ou superestimou a própria capacidade".

Produtoras de todos os lugares têm tido dificuldades para acompanhar a demanda, considerando que os carros elétricos passaram de quase nenhuma venda há uma década para mais de meio milhão de veículos no ano passado. A bateria do Model S da Tesla, empresa de Musk, usa cerca de 45 quilos de carbonato de lítio. Mais minas estão planejadas, mas as dificuldades em Olaroz -- a primeira mina nova de lítio da América do Sul em duas décadas -- limitam o financiamento de novos empreendimentos na Argentina, que abriga a terceira maior reserva mundial.

"A incerteza no lado da oferta está elevando os preços e deixando os investidores nervosos", disse Daniela Desormeaux, CEO da consultoria focada no lítio SignumBOX, com sede em Santiago. "Precisamos que um projeto novo entre no mercado a cada ano para atender à crescente demanda. Se isso não acontecer, o mercado ficará apertado."

A Austrália é a maior produtora de lítio, embora Chile e Argentina representem 67 por cento das reservas globais, segundo a U.S. Geological Survey.

A experiência da Orocobre na Argentina mostra que o processo tem seus desafios, especialmente para uma empresa estreante.

"A produção de lítio não é fácil", disse Juan Esteban Fuentes, diretor da CRU Group para a América do Sul, em entrevista, em Santiago. "É necessário um elevado conhecimento técnico e químico. Claramente haverá mais interrupções na medida em que existirem mineradoras chegando ao mercado que nunca extraíram lítio e que não possuem esse conhecimento técnico."

Dos 39 empreendimentos de lítio monitorados pela CRU, apenas quatro mantêm compromissos firmes, e todos estão na China, somando cerca de 24.000 toneladas de oferta anual. Outros 10 projetos representando 400.000 toneladas são classificados como "prováveis" -- no Canadá, no Chile, na China, no México, na Argentina e na Austrália --, mas provavelmente apenas cerca de 30 por cento chegarão à fase de produção, afirmou a CRU.

Os problemas iniciais da Orocobre estão sendo acompanhados de perto pelos investidores, que estão cada vez mais relutantes em financiar projetos de novos concorrentes na Argentina, disse Gabriel Rubacha, chefe de operações da Lithium Americas na América do Sul.

O Chile considera que o lítio é "estratégico", o que significa que as possíveis produtoras precisam de autorização da Comissão de Energia Nuclear e que as condições operacionais são estabelecidas diretamente pelo governo, caso a caso. A Wealth Minerals estima que levará sete anos para montar uma operação no Chile.

"Mas temos uma janela de apenas 25 anos para desenvolver esses projetos porque os preços podem cair novamente assim que surgir um substituto para o lítio", disse Marcelo Awad, gerente da Wealth para o Chile, em entrevista, em Santiago.

--Com a colaboração de Martin Ritchie

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