Forte demanda de siderúrgicas chinesas reduz estoque de minério

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- O estoque recorde de minério de ferro acumulado nos portos da China em dois anos mostra sinais de queda. Os volumes caíram durante cinco semanas consecutivas porque as siderúrgicas do maior produtor mundial estão consumindo o minério estocado para ajudar a atender a forte demanda após a queda nas remessas australianas.

As reservas caíram mais 1,3 por cento na semana passada, para 133,45 milhões de toneladas, menor patamar desde o início de maio, segundo a Shanghai Steelhome E-Commerce. Nas últimas cinco semanas, a queda foi de 7 milhões de toneladas e depois que atingiram um pico, dois meses atrás, houve recuo de 5,7 por cento.

"A redução dos estoques portuários é um indicativo de demanda maior -- certamente é um sinal positivo", disse Philip Kirchlechner, diretor da Iron Ore Research. A queda também mostra que algumas usinas preferem comprar lotes pequenos dos portos de tempos em tempos em vez de carregamentos inteiros, segundo Kirchlechner, que é ex-diretor de marketing da Fortescue Metals Group.

Os estoques cresceram no período de oito trimestres posterior a meados de 2015 com a expansão da oferta das minas internacionais e têm sido acompanhados por importações recorde na China e por dados que mostram a maior produção de aço já registrada. O recuo das últimas semanas ocorre após três meses de alta dos preços, em um momento em que as usinas aproveitam o aumento dos preços do aço e em que as autoridades locais pressionam algumas usinas. Ele também acompanha a queda da oferta de mineradoras por meio de Port Hedland, na Austrália, no mês passado.

"As siderúrgicas ainda estão recebendo grandes pedidos, por isso existe um desejo de acumular matérias-primas", disse Wu Zhili, analista da Shenhua Futures em Shenzhen. "Parte dos estoques portuários está presa ao financiamento. Quando as condições monetárias apertam, os traders podem ser tentados a reduzir seus estoques."

Queda em Hedland

No ano passado, as importações chinesas de minério de ferro ultrapassaram pela primeira vez a casa de 1 bilhão de toneladas e atingiram 625,4 milhões de toneladas nos sete primeiros meses de 2017. A maior parte da commodity é exportada por mineradoras da Austrália e do Brasil, como a Rio Tinto, a BHP Billiton, a Fortescue e a Vale. Ainda assim, as exportações saídas de Port Hedland -- usado pela BHP e pela FMG -- somaram 37,9 milhões de toneladas no mês passado, 12 por cento menos que em junho, e foram ainda menores que o volume de julho de 2016.

"O declínio do estoque portuário se deve principalmente à chegada menor de minério e a oferta de produtos de alta qualidade é restrita", disse Wang Ying, analista da Everbright Futures, em nota na segunda-feira. "Isso provavelmente reforçará os preços à vista a curto prazo."

Há especulações de que os estoques portuários possam englobar principalmente minérios de menor qualidade, que têm apresentado demanda mais fraca do que os produtos de qualidade superior em um momento em que as usinas buscam maximizar a produção. O Barclays, pessimista em relação ao minério de ferro, afirmou que os investidores devem ficar atentos ao recuo do estoque, possível evidência de que as usinas estão substituindo insumos e optando por taxas menores de produção de aço bruto.

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