Alguns investidores aceitam convite de Maduro para ir a Caracas

Ben Bartenstein

(Bloomberg) -- O convite de Nicolás Maduro na sexta-feira para que os detentores de títulos dos EUA visitassem Caracas parecia absurdo. Uma viagem a uma das cidades mais violentas do mundo normalmente não é muito atraente, além de apresentar desafios adicionais, como atravessar protestos nas ruas, não entrar em conflito com as sanções impostas pelos EUA e conseguir um voo em um momento em que as companhias aéreas estão se retirando do mercado.

No entanto, alguns investidores corajosos afirmam que poderiam aceitar a reunião oferecida pelo presidente da Venezuela. A dívida de maior risco do mundo oferece alguns dos melhores retornos para os traders que conseguirem aguentar o drama e qualquer sinal de disposição do governo para continuar pagando é extremamente valioso.

Uma reunião com representantes do alto escalão seria uma oportunidade única para tentar entender o funcionamento de um governo obscuro e valeria a viagem à Venezuela, disse um gerente de fundos com sede em Boston, cuja empresa está entre os maiores detentores de títulos do país. Ele pediu para não ser identificado por causa da sensibilidade do assunto. Um gerente de portfólio de Nova York, que também pediu anonimato para falar sobre deliberações privadas, disse que está preparando seu pedido de visto para uma possível viagem a Caracas nas próximas semanas após o convite de Maduro.

Os traders buscam qualquer informação que puderem ter sobre a estratégia do governo venezuelano para se manter em dia com a dívida diante da diminuição das reservas em moeda estrangeira, das sanções que proíbem as instituições financeiras regulamentadas pelos EUA de ajudarem o governo a levantar novos financiamentos e de uma população intranquila que exige mais importações de alimentos e remédios. Maduro e Hugo Chávez, seu antecessor, surpreenderam muitos analistas, sempre honrando suas dívidas, apesar de condenar o que consideram como uma sabotagem financeira orquestrada pelo imperialismo dos EUA.

Um fator complicador é que as principais autoridades venezuelanas, incluindo o próprio Maduro, assim como o diretor financeiro da companhia estatal de petróleo, foram colocados em uma lista negra pelas sanções dos EUA que proíbem conversas que não sejam de natureza estritamente informativa. Uma longa lista de regras legais e de compliance provavelmente acompanharia qualquer investidor que fizer uma viagem.

Também não está claro quem exatamente do governo venezuelano participaria das reuniões. Os detentores de títulos de diversos hedge funds com sede em Nova York, que pediram anonimato, disseram que não poderiam justificar uma viagem porque em visitas anteriores só puderam se reunir com um ou dois assessores, em vez do amplo grupo de autoridades que outros países disponibilizam.

Ainda assim, para aqueles que apostam uma grande quantia de dinheiro em alguns dos títulos de maior rendimento do mundo, uma reunião cara a cara com as principais partes interessadas do país poderia ser vantajosa.

"O resultado positivo mais importante que os investidores costumam trazer depois de se reunir com as autoridades é que a Venezuela e a PDVSA pretendem pagar", disse Russ Dallen, sócio administrativo da Caracas Capital Markets. O "resultado negativo geralmente é que as explicações de um ministro ou assessor sobre como esse pagamento vai acontecer são improváveis, irrealistas ou inexplicáveis."

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