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Êxodo de traders na Dreyfus deixa buraco em divisão de grãos

Andy Hoffman, Agnieszka de Sousa, I. Almeida e Javier Blas

(Bloomberg) -- A renúncia coletiva de traders de grãos da Louis Dreyfus, que gerou uma crise que obrigou altos executivos da companhia a interromper uma viagem pela Ásia e voltar para Genebra, deixará um buraco significativo em uma das atividades comerciais mais importantes da companhia.

Apesar de ter agido rapidamente para substituir o ex-chefe global de grãos David Ohayon, a empresa vai esperar para preencher os cargos dos escalões inferiores. Pelo menos outros cinco traders deixaram a companhia na terça-feira, entre eles o chefe regional de grãos para a Europa e o Mar Negro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

As partidas foram parcialmente motivadas por divergências em relação à estratégia de trading, segundo uma pessoa com conhecimento direto do assunto, que pediu anonimato porque as discussões são privadas. A Dreyfus quer se concentrar no mercado físico de grãos, disse a pessoa.

A trading de 166 anos administrada pela bilionária Margarita Louis-Dreyfus é há tempos uma das principais empresas do comércio internacional de grãos, particularmente em países que fizeram parte da antiga União Soviética. A Dreyfus é a sexta maior exportadora de trigo russo, segundo informações alfandegárias monitoradas pela OOO ProZerno. É também uma das 10 maiores traders de grãos ucranianos, segundo a UkrAgroConsult.

"Os grãos são uma das atividades mais antigas da LDC. A empresa é uma das principais traders mundiais da commodity", disse Jean-François Lambert, consultor do setor e ex-executivo bancário de trade finance de commodities do HSBC Holdings, por e-mail.

"Com o crescimento da produção do Mar Negro em termos de qualidade e quantidade, a LDC ampliou seu alcance e sua influência na região nos últimos 15 anos", disse ele, usando a sigla para Louis Dreyfus Company.

Uma porta-voz da empresa em Genebra preferiu não fazer mais comentários em relação à renúncia de Ohayon ou a outras mudanças.

As saídas ocorrem no momento em que algumas das maiores tradings agrícolas enfrentam dificuldades para gerar lucros a partir de suas atividades principais: a compra-venda de trigo, milho e outros produtos alimentícios ao redor do mundo.

Colheitas abundantes derrubaram os preços dos grãos nos últimos cinco anos, diminuindo a volatilidade e as oportunidades de trading. Em fevereiro, a Archer-Daniels-Midland divulgou que sua mesa de trading global em Rolle, na Suíça, registrou prejuízo.

Entre os traders que deixaram a Dreyfus estão Cesar Soares, chefe regional de grãos para a Europa e o Mar Negro, e Pascal Durouchoux, trader sênior em Genebra, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O CEO Gonzalo Ramírez encurtou uma viagem pela Ásia na terça-feira para retornar a Genebra e lidar com as saídas, disseram pessoas informadas a respeito.

No dia seguinte, a Dreyfus divulgou comunicado que nomeou Adrián Isman como novo chefe global de grãos. Murilo Parada assumirá as responsabilidades anteriores de Isman como chefe da plataforma de sucos, informou a empresa.

--Com a colaboração de Alfred Cang

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