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Fundo soberano de US$ 1 tri perde gosto por novos ativos

Mikael Holter e Sveinung Sleire

(Bloomberg) -- O maior fundo soberano do mundo declarou que dificilmente valerá a pena apostar em novas classes de ativos.

Ou seja, não existem mais as oportunidades para aumento do retorno que o fundo soberano da Noruega antes enxergava em infraestrutura e participações em empreendimentos de capital fechado (private equity), de acordo com o presidente da instituição, Yngve Slyngstad. O fundo passou anos tentando obter aprovação política para investir nesses ativos.

"Hoje estamos perto de US$ 1 trilhão. Falando de modo realista, investir em infraestrutura, private equity e suas variantes não é uma questão muito importante para o fundo", disse Slyngstad em entrevista realizada em 29 de agosto no escritório dele em Oslo. "Seria uma proporção tão pequena e a duração da implementação tão demorada que, se fosse impactar as taxas de retorno, isso aconteceria porque na realidade o fundo estaria diminuindo de tamanho."

Os comentários dele representam uma virada surpreendente nas avaliações das autoridades locais no sentido de permitir ou não que o fundo soberano atue além de ações, títulos de dívida e imóveis. A instituição argumentou no passado que acrescentar mais classes de ativos ofereceria um caminho para elevar as taxas de retorno após anos de juros nos menores níveis históricos. Mas agora o próprio tamanho do fundo ameaça esse raciocínio, segundo Slyngstad.

Setor imobiliário

Mesmo depois de receber sinal verde para investir em imóveis, em 2010, o fundo tem dificuldades para cumprir a meta de 5 por cento, embora tenha contratado gente para supervisionar o processo.

"Até no setor imobiliário, que é uma classe de ativos muito grande, demora muitos anos para construir uma proporção significativa", explicou Slyngstad. "Seria parecido com infraestrutura e private equity."

Paralelamente, diversos institutos de pesquisa e grupos não governamentais vêm insistindo para que o fundo comece a investir em infraestrutura.

Até agora o governo norueguês negou permissão, argumentando que investir em infraestrutura poderia empurrar o fundo para um território político delicado, já que muitos dos projetos são obras públicas. Em relatório apresentado a parlamentares noruegueses neste ano, o Instituto para Economia de Energia e Análise Financeira concluiu que o fundo deveria ter permissão para investir 5 por cento do capital em empreendimentos de infraestrutura sem participações negociadas em bolsa, focando em energias renováveis.

"A infraestrutura não listada oferece retornos atraentes para o risco incorrido em um mercado em expansão", afirmou o autor do relatório, Tom Sanzillo. "Aumentar os investimentos em participação acrescenta risco com resultados apenas modestos para as taxas de retorno globais."

De acordo com Slyngstad, o fundo não se recusaria a investir em infraestrutura se o governo mudasse de ideia, mas essa classe de ativos agora dificilmente teria efeito relevante sobre o retorno. O interesse por infraestrutura diminuiu também porque o fundo recebeu permissão para ampliar a parcela aplicada em ações de 60 por cento para 70 por cento.

"Para as futuras gerações receberem a parte delas na era do petróleo que tivemos, nossos investimentos em instrumentos listados serão o principal motor das taxas de retorno e, portanto, também da renda do fundo", disse Slyngstad. "Esse fundo é cada vez mais voltado para o retorno do mercado acionário. Não acontece muito em termos de juros, a menos que afetem o mercado acionário."

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