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Fábricas de leite infantil da China fecham parcerias no exterior

Bloomberg News

(Bloomberg) -- As produtoras chinesas de fórmulas infantis estão indo ao exterior para reconquistar participação em seu mercado doméstico depois que um escândalo relacionado à melamina, há quase uma década, fez com que os consumidores perdessem a confiança nos produtos fabricados localmente.

A Feihe International é a mais nova empresa a apostar na fabricação no exterior, com um investimento de 300 milhões de dólares canadenses (US$ 238 milhões) na construção de uma fábrica em parceria com a Canada Royal Milk, em Ontário. A iniciativa surge após decisões similares da Inner Mongolia Yili Industrial Group, que investiu em fábricas nos EUA e na Nova Zelândia, e da Yashili International Holdings.

As empresas estrangeiras ainda mantêm um sólido domínio do mercado chinês de fórmulas infantis, de US$ 19,5 bilhões, depois que uma fórmula contaminada com melamina provocou a morte de pelo menos seis bebês e deixou dezenas de milhares doentes em 2008. Devido ao cansaço dos consumidores em relação aos escândalos envolvendo alimentos, as marcas domésticas continuam com dificuldades para ganhar participação de mercado apesar das regras rígidas impostas pelo governo com o objetivo de reconquistar a confiança, das inspeções rigorosas e da repressão aos infratores. Agora, algumas empresas avaliam produzir fórmula no exterior e depois vendê-la aos consumidores do país.

"As inspeções de qualidade da China melhoraram significativamente", disse Dingmian Wang, ex-presidente da Associação da Indústria de Lácteos de Guangdong. "Ainda assim, o setor está tendo problemas para convencer os consumidores."

Essa desconfiança tem sido benéfica para as empresas estrangeiras frente à demanda crescente, que fez o valor da venda de fórmulas praticamente dobrar entre 2011 e 2016, segundo relatório da Euromonitor International. Nestlé, Danone, Mead Johnson Nutrition, Royal FrieslandCampina, American Dairy e Abbott Laboratories representam mais de 50 por cento do mercado chinês, segundo dados da firma de pesquisa de mercado. A Inner Mongolia Yili conquistou participação de 5,4 por cento.

As fabricantes chinesas, resignadas frente à desconfiança dos consumidores apesar das garantias do governo, estão passando a adotar uma nova tática: se não podemos vencer as concorrentes estrangeiras em nosso próprio território, nos uniremos a elas.

Parcerias

"Eu vejo as parcerias como uma boa forma de as empresas chinesas investirem no exterior, especialmente em economias avançadas", disse Wei Li, professora da Faculdade de Administração da Universidade de Sidney. A outra motivação para as empresas "é expandir sua cadeia de abastecimento, o que dá a elas maior controle sobre a qualidade e permite que capitalizem a enorme demanda do mercado chinês", afirmou Li.

A China Animal Husbandry Group, que tem participação majoritária na Mataura Valley Milk, investiu no ano passado na construção de uma fábrica de leite em pó na Nova Zelândia. A Beingmate Baby & Child Food adquiriu 51 por cento de uma fábrica australiana da Fonterra Co-operative Group no ano passado.

"Desde 2008, os consumidores desconfiam das marcas locais e admiram cegamente os produtos estrangeiros", disse Guogang Zhu, vice-gerente de relações públicas da Yashili, que formou parceria com a dinamarquesa Arla Foods para desenvolver uma fórmula infantil de alto padrão chamada "Baby & Me". Agora, disse ele, as marcas domésticas estão muito similares e competem basicamente no preço.

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