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Denúncia contra Temer não chegou mas partidos já cobram fatura

Simone Iglesias e Samy Adghirni

(Bloomberg) -- A nova denúncia contra o presidente Michel Temer ainda não chegou à Câmara, mas a fatura de congressistas para mantê-lo no poder já está sendo discutida com o Palácio do Planalto.

Além dos habituais pedidos de cargos na máquina pública e o pagamento de emendas parlamentares, a lista de demandas cresceu com a exigência do PP, que detém a terceira maior bancada da base, de demissão do ministro tucano Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo). O PR, quarta maior bancada, reclama que emendas empenhadas ainda não foram pagas e, como forma de pressão, ameaça devolver à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deputados que saíram porque votariam a favor das investigações contra Temer.

Às vésperas da apresentação de nova denúncia, a avaliação recorrente entre os congressistas é a de que se não houver fatos novos, será arquivada. Mas se tiver elementos relevantes, será mais difícil convencer aliados a votarem novamente para liberar Temer de uma investigação. "Muitos deputados podem aproveitar a segunda denúncia para fazer as pazes com a opinião pública votando contra o presidente", avaliou o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Para o líder do PSD, Marcos Montes (MG), o pedido de investigação chegará em um momento ruim, mesmo que não tenha consistência jurídica. "A votação dos deputados pela permanência do presidente não foi por ele, mas pela estabilidade do país. O presidente venceu a batalha na câmara, mas as ações seguintes não tiveram respaldo da Casa", afirmou o parlamentar, citando o aumento dos combustíveis dias depois do arquivamento e a pressão doi governo para votar a reforma da previdência.

Líder do PMDB na Câmara, o deputado Luiz Felipe Baleia Rossi (MG) avalia que será mais fácil para Temer obter apoios agora porque os indicadores econômicos melhoraram. "O país está andando. Sem dúvida, uma segunda denúncia seria ruim para o país", disse.
Entre os deputados que integram a CCJ, porta de entrada da denúncia, a avaliação é de que será mais difícil encontrar um relator independente para dar um parecer contra ou a favor de Temer porque todas as opiniões ficaram conhecidas na primeira denúncia. Com isso, é provável, segundo parlamentares do colegiado a par das negociações, que os votos se repitam com maioria a favor do arquivamento.

"O governo terá de negociar e oferecer algumas coisas. Mas existe um certo cansaço da classe política: o custo de tirar o Temer começa a se tornar mais elevado", avalia João Augusto de Castro Neves, da Eurasia. "O beneficio de trocar Temer por X, seja Rodrigo Maia ou outro de um mesmo campo politico ideologico não é claro: quase 6 por meia duzia."

--Com a colaboração de Mario Sergio Lima

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