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Negociações do Nafta envolvem normas trabalhistas e de origem

Eric Martin e Joshua Wingrove

(Bloomberg) -- Autoridades dos EUA, do Canadá e do México começaram a discutir algumas das questões mais delicadas do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês) ao analisar questões como normas trabalhistas, resolução de conflitos e regras de origem dos produtos em uma sessão de negociação na Cidade do México, de acordo com duas pessoas com conhecimento do cronograma.

As equipes dos EUA e do Canadá estão pressionando para que os trabalhadores mexicanos tenham melhores condições de trabalho, uma forma de aumentar os salários e reduzir os incentivos para as empresas transferirem empregos industriais para a economia em vias de desenvolvimento. O governo Trump quer impedir que as empresas dos EUA se mudem para o México, onde os trabalhadores ganham um quarto do que ganham seus pares americanos.

Após a sessão de discussão das normas trabalhistas no domingo começarão as negociações sobre regras de origem, que regem a porcentagem de componentes em um produto que deve proceder dos três países, para que ele possa ser isento de impostos, de acordo com as pessoas, que pediram anonimato por discutirem negociações privadas. Esse debate, marcado para começar nesta segunda-feira, se concentra particularmente no setor automotivo, no qual é necessário que 62,5 por cento do valor do veículo seja proveniente da América do Norte para que ele seja apto às isenções tarifárias.

Além das regras de origem, os países discutirão aquisições governamentais, propriedade intelectual, meio ambiente, questões digitais e comércio de serviços nesta segunda e na terça-feira, de acordo com o cronograma obtido pela Bloomberg News. As aquisições, incluindo as chamadas cláusulas "Buy American" (Compre produto americano), são um ponto importante das negociações.

Soluções comerciais e resolução de conflitos -- um tema sensível para o Canadá -- também serão discutidos nesta segunda-feira. Os EUA querem eliminar o mecanismo de resolução de controvérsias do Capítulo 19 do Nafta.

Jerry Dias, presidente do maior sindicato do setor privado do Canadá, disse a jornalistas na sexta-feira que seu grupo propôs um mínimo de 70 por cento para as regras de origem e que o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, lhe disse que quer um nível ainda maior.

Compromisso de energia

O México também está buscando adicionar a abertura do setor de energia do presidente Enrique Peña Nieto à atualização do tratado do Nafta, disse Kenneth Smith Ramos, principal negociador do país. Este passo proporcionaria maior segurança jurídica para investidores privados e estrangeiros.

"Estamos trabalhando nessa direção, analisando todos os elementos da reforma energética que deveriam ser incluídos a fim de refletir, é claro, a reforma que o México estabeleceu", disse Smith Ramos a jornalistas na Cidade do México no sábado.

As negociações na Cidade do México, que começaram na sexta-feira, são a segunda rodada de negociações formais para reformular o pacto, que foi estabelecido entre os três países em 1994. O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou o tratado comercial na campanha presidencial no ano passado e ameaçou abandonar o acordo se os outros dois países não concordassem com a renegociação.

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