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Análises baratas desafiam reforma regulatória da MiFID

John Glover e Julie Edde

(Bloomberg) -- A queda dos preços de pesquisas sob a Diretiva de Mercados em Instrumentos Financeiros da União Europeia (conhecida pela sigla MiFID II em inglês) está causando um problema para as gestoras de recursos: o risco de serem acusadas de conseguir incentivos para negócios em troca de análises baratas.

A reforma regulatória promovida pela União Europeia obrigará as firmas de buy-side a justificar o preço pago pelas análises quando o custo destas é diferenciado de outros serviços, como comissões de negociação.

Com os bancos em meio a uma guerra de preços para tentar ganhar participação de mercado, seus clientes podem ser acusados de aceitar custos de pesquisa tão baixos a ponto de os reguladores considerarem os preços como incentivos para atrair outros negócios.

"Não vai ser fácil -- o ônus é da gestora de recursos, que terá de decidir o valor da pesquisa e pagar pelo serviço que estamos recebendo", disse Jonathan Pitkanen, chefe de pesquisa de grau de investimento da Columbia Threadneedle Investments, em Londres. "Os preços estão indo em apenas uma direção, e é para baixo."

As regras têm como objetivo evitar que um relatório do analista com uma ideia inteligente não funcione com um incentivo para direcionar negociações para a firma do autor do estudo. Um possível caminho para evitar as restrições é que a pesquisa distribuída publicamente não precise ser cobrada quando as regras entrarem em vigor em 3 de janeiro.

O Danske Bank planeja aproveitar a oportunidade oferecendo quase todas as suas pesquisas de renda fixa de graça e o Credit Suisse também distribuirá a maior parte de sua produção para investidores de crédito institucional sem nenhum custo, disseram pessoas a par do assunto.

'Amplamente distribuída'

"Se alguma coisa está disponível ao público e é amplamente distribuída, isso não se encaixaria na definição de pesquisa sob a MiFID II", avalia Claire Wallace, gestora sênior do departamento de gestão de recursos da consultoria PricewaterhouseCoopers, com sede em Londres.

Um porta-voz da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados, organização com sede em Paris que supervisiona as novas regras, não quis comentar qual preço de pesquisa seria considerado como incentivo. Um representante da Autoridade de Conduta Financeira afirmou que a agência reguladora britânica poderia monitorar a evolução dos modelos de preço, bem como riscos de incentivo e questões de concorrência.

Steve Strongin, chefe de pesquisa global do Goldman Sachs, afirmou em uma reunião de funcionários em junho que os preços estão em queda porque os bancos estariam priorizando manter os relacionamentos com clientes em vez de gerar receita com seus produtos, segundo um resumo do evento ao qual a Bloomberg News teve acesso. Um porta-voz do Goldman disse que não foi possível verificar a precisão ou a íntegra das observações e preferiu não fazer outros comentários.

O Deutsche Bank cortou pela metade o preço de suas pesquisas de macroeconomia e de renda fixa para 30.000 euros ao ano (US$ 36.000) para até 10 usuários, segundo pessoas a par do assunto.

O JPMorgan Chase pretende cobrar US$ 10.000 por ano para o acesso somente à leitura de pesquisas de renda variável, bem mais barato do que as 30.000 libras esterlinas (US$ 39.000) que o Barclays propôs por um pacote semelhante.

--Com a colaboração de Grant Smith Stefania Spezzati Tom Beardsworth e Trista Kelley

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