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Calmaria de mercado acionário dos EUA mascara volatilidade

Oliver Renick e Elena Popina

(Bloomberg) -- O mercado de ações americano é um imperturbável monólito tão tranquilizado por índices de fundos que nem a ameaça de uma aniquilação nuclear pode movê-lo de seus ancoradouros? Não é bem assim.

Não é que o S&P 500 não tenha demonstrado estupefação nos últimos meses. Recordes foram batidos um após o outro, o índice VIX de volatilidade se arrastou próximo a níveis recordes de baixa e períodos de recuperação em V (mais rápidos) se materializaram na esteira de qualquer notícia importante.

Menos visível foi o que aconteceu nos bastidores, onde as ações têm oscilado independentemente uma das outras e a distância entre o setor com o melhor desempenho e o pior é a mais ampla desde o início do período de valorização. É abaixo da superfície que as ações de menor capitalização alternam a liderança com grandes empresas, o segmento de assistência médica ultrapassa o financeiro na análise entre setores e companhias sensíveis ao crescimento econômico disparam em comparação com as antigas ações de valor.

Conclusão: se você está em busca de ação, não é difícil encontrá-la no mercado de renda variável.

"Temos muitas correntes cruzadas que estão forçando uma sacudida do mercado; não está tão calmo como se poderia pensar", disse Walter Todd III, diretor de investimento da Greenwood Capital Associates. "O nervosismo está aumentando. A disfunção na Casa Branca piorou, a situação na Coreia do Norte se deteriorou, embora os dados econômicos se mostrem positivos."

Divergência entre setores

A correlação entre as ações está se afrouxando. A correlação de três meses no S&P 500, que mede o quão próximos os componentes do índice estão se movendo, atingiu a menor média desde pelo menos 2011, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Isso ilustra o caos, mas também mostra por que o índice não está se movendo muito, já que são necessárias muitas empresas indo na mesma direção para provocar uma virada forte. Uma ação pode oscilar muito, mas, se outra vai na direção oposta, o mercado parece estar parado.

Há uma mudança também relacionada ao tamanho das empresas. Ações de menor capitalização mais do que dobraram o desempenho do S&P 500 em 2016, impulsionadas por um salto de 14 por cento nos últimos dois meses depois que a vitória do presidente Trump estimulou investimentos em empresas domésticas. Essa tendência virou este ano, com o índice Russell 2000 subindo 4,2 por cento em comparação com a alta de 11 por cento do S&P 500.

E o que tudo isso significa? Por um lado, mais oportunidades para gestores ativos. Em 2015, a correlação entre as ações no S&P 500 subiu para os maiores níveis desde a crise de débito de 2011, e saltou novamente no período anterior às eleições nos EUA, antes de cair no começo do ano.

"Quando o Fed, o BCE e o BOJ retiraram trilhões de dólares de ativos do mercado, restaram poucas coisas para comprar, então 'compradores cegos' apenas adquiriram índices", disse Michael O'Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading Institutional Services. "À medida que esses fluxos diminuem, começamos a ver as ações atuarem de forma diferente, e isso pode ser o começo de mais dispersão."

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