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Melitta eleva padrão do café no Brasil por praga

Isis Almeida e Fabiana Batista

(Bloomberg) -- A incidência maior de um inseto raro no café brasileiro levou a empresa alemã Melitta Group a elevar seu padrão no maior produtor mundial do grão.

Enquanto a maioria das empresas de torrefação de café do Brasil estabelecem limite de 5 por cento para os grãos afetados pela broca-do-café, a Melitta só comprará lotes com até 4 por cento, segundo pessoas a par do assunto, que pediram anonimato porque a informação não é pública. A decisão vem dificultando bastante a tarefa dos traders de abastecer as operações brasileiras da empresa, afirmaram essas pessoas.

A praga, rara no Brasil, se espalhou neste ano, afetando especialmente os tipos de café destinados em sua maioria ao mercado local, disse Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), que representa as empresas de torrefação. Cerca de 12 por cento dos grãos dessas variedades de café foram afetados pelo inseto, segundo Lúcio Dias, diretor comercial da Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), de Minas Gerais.

A unidade brasileira da Melitta "limita a comprar matéria-prima com porcentagem de broca do café abaixo do máximo recomendado pela Abic", informou a empresa em resposta enviada por e-mail às perguntas da Bloomberg. A empresa segue várias especificações e a porcentagem pode ser zero em alguns casos, informou.

As restrições da Melitta surgiram depois que a organização não-governamental Proteste informou que encontrou, em testes, um inseto inteiro em uma das marcas de café da empresa vendidas nos supermercados brasileiros.

Dificuldade dos traders

A Melitta negou irregularidades, afirmando que não teve acesso à metodologia usada pela Proteste e que havia submetido o mesmo café a outro laboratório certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O instituto concluiu que o produto respeita a legislação brasileira, informou a empresa em comunicado separado.

A incidência maior da praga dificulta a tarefa dos traders de atender os requisitos do setor, forçando as empresas locais de torrefação a comprarem grãos de melhor qualidade, normalmente exportados, disse Herszkowicz. Estes são misturados aos lotes afetados, disse ele.

"Isso deverá reduzir o volume de café destinado ao mercado externo", disse Dias, da Cooxupé, a maior exportadora de café do Brasil. "A indústria local está pagando um ágio ao comprar esses grãos de melhor qualidade."

A incidência da broca-do-café aumentou nesta temporada após a proibição a pesticidas como o endosulfan. A praga gruda nos grãos e deixa buracos, reduzindo a qualidade do café.

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