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Clima interfere em eleição norueguesa e coloca petróleo em risco

Mikael Holter

(Bloomberg) -- Políticos e ativistas que vêm disputando o controle da poderosa indústria de petróleo da Noruega estão de olho em um avanço.

Diversos partidos que se opõem a uma maior exploração de petróleo poderiam surgir como grandes influenciadores na eleição de 11 de setembro. Isso colocará em risco a iniciativa de buscar cerca de 9 bilhões de barris de petróleo e gás natural do Ártico, necessária para prolongar a era do petróleo que fez da Noruega um dos países mais ricos do mundo.

"Estou muito preocupado", disse Stale Kyllingstad, CEO da IKM Gruppen, uma das maiores fornecedoras do setor de petróleo.

Os inimigos das grandes empresas de petróleo agora estão conquistando adeptos com argumentos tanto morais como financeiros. Os noruegueses questionam cada vez mais como conciliar seu papel de maior produtor de petróleo e gás da Europa Ocidental com a luta contra a mudança climática e se a busca por mais petróleo é algo financeiramente sólido em um mundo onde as energias renováveis estão cada vez mais dominantes.

O Partido Verde, que pretende acabar com a exploração de forma imediata e eliminar gradativamente o setor em 15 anos, deve se tornar uma força parlamentar fundamental. A disputa está tão acirrada entre o governo conservador da primeira-ministra Erna Solberg e a oposição, encabeçada pelo líder trabalhista Jonas Gahr Store, que é impossível prever o resultado. Pesquisas sugerem que ambos os blocos podem deixar de ganhar uma maioria.

O Partido Trabalhista, historicamente defensor da indústria do petróleo, tem visto seu apoio cair nas últimas semanas, o que o torna dependente do apoio de partidos menores que pretendem reduzir a exploração. No mês passado, um importante político trabalhista chegou a sugerir alterar os subsídios fiscais para a exploração, o que chocou o setor. Posteriormente, o partido esclareceu que não pretendia mudar um sistema valorizado pelas companhias de petróleo por sua estabilidade.

Isso não conseguiu tranquilizar Kyllingstad, que disse temer que um Partido Trabalhista fraco seja forçado a "se prostituir" a "partidos extremistas".

O Partido da Esquerda Socialista (parceiro do governo trabalhista até 2013) e o Partido Vermelho, que querem acabar com as concessões de licenças e com o desenvolvimento de novos campos, também poderiam ganhar.

Na verdade, o Partido Trabalhista e os atuais partidos governantes, o Conservador e o do Progresso, que apoiam o setor, provavelmente continuarão sendo os três maiores grupos depois das eleições, compartilhando mais da metade dos votos.

No entanto, os partidos menores, que até o momento não tiveram muito mais motivos de comemoração além de uma proibição da exploração nas ilhas Lofoten, poderiam obter concessões maiores, disse Anders Holte, analista do Danske Bank em Oslo. Isso poderia incluir menos concessões de licenças e possivelmente comprometeria um programa que permite que empresas deficitárias coletem 78 por cento das despesas de exploração em dinheiro, disse ele.

Para um setor que perdeu 50.000 empregos durante a crise do petróleo, este seria um golpe forte. Poderia especialmente colocar em risco uma expansão no Mar de Barents, que possui a maior parte dos recursos de petróleo e gás não descobertos do país e é visto como chave para manter a produção 10 anos a partir de agora, depois de ela já ter caído 12 por cento desde o pico de 2004.

"Pela primeira vez em um longo tempo, existe um risco político crescente", disse Holte.

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