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Aposta de alto risco acena para quem acredita na Venezuela

Ben Bartenstein

(Bloomberg) -- Durante anos, os investidores na Venezuela e em sua companhia petrolífera estatal, a Petróleos de Venezuela (PDVSA), se mantiveram calmos sabendo que, em caso de calote, existiriam ativos que poderiam ser confiscados para recuperar parte de seus prejuízos.

Mas para os compradores de títulos com um apetite ainda maior para o risco, aqueles que estão dispostos a apostar na sobrevivência do presidente Nicolás Maduro e no histórico de pagamentos da dívida, há outra opção: Electricidad de Caracas (Elecar), a companhia elétrica estatal.

Os US$ 650 milhões em títulos da empresa que vencem em abril estão sendo negociados por apenas 66 centavos de dólar, com um impressionante rendimento de 98 por cento, o que os converte nas notas de maior risco com vencimento em 2018 no país que é, por sua vez, o de maior risco do mundo. E há bons motivos para isso. Em caso de calote, os detentores de títulos da PDVSA, e talvez até mesmo os detentores da dívida soberana da Venezuela, poderiam reivindicar o petróleo, os navios-petroleiros e a unidade de refino da empresa nos EUA. Mas a Elecar, comprada pela PDVSA há uma década, não tem nada que os investidores estrangeiros possam aproveitar.

Claro que isso não terá importância se a Elecar pagar seus títulos dentro do prazo, e os investidores que confiaram na Venezuela e em suas empresas estatais foram recompensados nos últimos dez anos com rendimentos de títulos que estão entre os melhores do mundo. Embora as crises políticas e econômicas levem os traders a apostarem que um calote équase inevitável nos próximos cinco anos e desencadearam a especulação de que Maduro e seu governo estariam de saída, muitos investidores acham que o país tem dinheiro suficiente para aguentar pelo menos mais algum tempo.

"Enquanto a Venezuela pagar, a PDVSA paga a dívida, e enquanto a PDVSA pagar, a Elecar paga", disse Lutz Roehmeyer, gestor de recursos do Landesbank Berlin Investment, que é o segundo maior detentor desses títulos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Ele disse que é improvável que ocorra uma mudança de regime antes do vencimento dos títulos da Elecar.

Francisco Rodríguez, economista-chefe da Torino Capital, disse que como o título da Elecar não tem provisões de inadimplência cruzada com os títulos soberanos ou da PDVSA, o incentivo para pagar poderia ser menor. Mesmo assim, ele observa que o governo da Venezuela tem tratado a dívida com a mesma diligência que as outras, e há uma razão extra para pagar, porque ele estima que um terço dos títulos da Elecar esteja nas mãos do governo ou de entidades locais.

Embora as notas da Elecar tenham dado um retorno de 13 por cento neste ano, ultrapassando a média de 8,1 por cento dos títulos corporativos em dólar de mercados emergentes, houve períodos difíceis.

A Fitch Ratings rebaixou a qualificação para CC nesta semana, a apenas dois degraus do calote, e disse que é "provável" um evento de crédito porque as sanções impostas pelos EUA limitam as opções de financiamento do governo. Em julho, Simón Zerpa, principal membro do conselho da empresa e diretor financeiro da PDVSA, foi um dos mais de uma dúzia de venezuelanos colocados na lista negra do governo Trump.

A probabilidade implícita de calote da PDVSA nos próximos seis meses é de 45 por cento, de acordo com dados de swaps de crédito compilados pela Bloomberg. Nos próximos cinco anos, a probabilidade é de 99 por cento.

Título em inglês: For Venezuela's True Believers, the Ultimate Risky Bet Beckons

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