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Tratamento a tripulação de superiates irrita sindicato britânico

Thomas Penny

(Bloomberg) -- As tripulações de superiates estão sendo exploradas por proprietários inescrupulosos em um momento em que a frota global se aproxima de 4.500 embarcações, e os casos de violações de segurança e abuso escapam de investigações, segundo um sindicato de marinheiros do Reino Unido.

Devido à falta de regulação e ao uso das chamadas bandeiras de conveniência, alguns funcionários trabalham longas horas em condições brutais, informará a Nautilus International a representantes do Trades Union Congress na semana que vem, segundo documento preliminar elaborado antes da reunião.

O grupo deseja que os sindicatos apoiem uma campanha para fazer cumprir a Convenção sobre o Trabalho Marítimo, que estabelece normas para as condições de trabalho e de vida.

"O trabalho marítimo é um dos mais perigosos do mundo e os superiates não são diferentes", disse Andrew Linington, diretor de campanhas do sindicato. "Não faltaram acidentes horríveis, e houve alguns casos em que a tripulação se feriu gravemente ou em que os parentes dos mortos em superiates não receberam nenhuma indenização."

O número de superiates, definidos como embarcações com mais de 24 metros de comprimento, está aumentando rapidamente, junto com o número de famílias ricas com dinheiro sobrando, afirma o sindicato. Mais de 33.000 tripulantes são empregados dessa frota, que cresceu 77 por cento em menos de uma década.

Apesar de comemorar o aumento do emprego e reconhecer que há muitos proprietários responsáveis, o sindicato citou uma pesquisa com tripulações realizada pelo Centro de Pesquisa Internacional sobre Marinheiros da Universidade de Cardiff (Sirc, na sigla em inglês) que concluiu que 75 por cento dos tripulantes estão preocupados com segurança do trabalho e que mais de 40 por cento enfrentaram bullying ou assédio.

Variações nas regulações em todo o mundo tornam difícil investigar e levar adiante ações judiciais por acidentes e acusações de maus-tratos, afirmou o sindicato. Entre os casos individuais enfrentados por tripulantes dos superiates estão a falta de pagamento de salários, o confisco de passaportes, ferimentos, bullying e assédio.

"A equipe pesquisada pelo Sirc atuou em superiates que operavam sob um total de 45 registros diferentes, o que cria um pesadelo jurisdicional no momento de lidar com investigações de acidentes ou de determinar a responsabilidade para indenização", disse Linington. "É vital que a Convenção sobre o Trabalho Marítimo seja aplicada à indústria de superiates e levada a cabo pelos países que registram essas embarcações ou que as recebem em seus portos."

A convenção foi acordada pela Organização Internacional do Trabalho em 2006 e ratificada por 84 de seus 185 estados-membros até o momento, incluindo o Reino Unido. Ela estabelece requisitos para contratos, horários e condições de trabalho para tentar gerar consistência entre distintas jurisdições.

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