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Desaparição de manifestante ajuda campanha de Cristina Kirchner

Charlie Devereux

(Bloomberg) -- O misterioso desaparecimento de um manifestante em um lugar isolado da Patagônia argentina durante confronto com a polícia preocupa o país e proporciona a Cristina Kirchner um impulso muito necessário para sua campanha ao Senado.

Santiago Maldonado, um artesão de 28 anos, desapareceu em 1o de agosto durante um protesto da comunidade indígena mapuche em terras pertencentes ao empresário italiano Luciano Benetton na província de Chubut. Seu desaparecimento em plena luz do dia chocou muitos argentinos e gerou um furor mediático subsequente depois que testemunhas disseram que tinham visto Maldonado ser levado pela polícia de fronteira.

Para a ex-presidente Cristina Kirchner, a controvérsia surge em um momento perfeito. O caso mostra o calcanhar de Aquiles do presidente Mauricio Macri -- sua aparente incapacidade de se relacionar com pessoas comuns -- em um momento em que a ex-presidente tenta reanimar sua carreira política. Cristina está a caminho de conquistar um assento no Congresso nas eleições de outubro, mas obteve menos votos do que o esperado nas eleições primárias de agosto e sua campanha ameaçava perder impulso.

O caso Maldonado "se enquadra em uma imagem de Macri promovida por Cristina Kirchner, de uma pessoa da elite oligárquica que não se preocupa com pessoas como Santiago Maldonado e que talvez até aprove a maneira como a polícia 'lidou' com o problema", disse Mark P. Jones, professor de Ciência Política do Baker Institute da Universidade de Rice, em Houston.

Macri não comentou o caso ao longo de quase um mês, enquanto Cristina se unia aos protestos e tuitava repetidamente exigindo o aparecimento de Maldonado -- vivo.

Recebem ordens

"Os guardas de fronteira que temos agora são os mesmos que tínhamos em 2015", disse Cristina em comício político em 30 de agosto, responsabilizando o presidente Macri pelo destino de Maldonado. "O que mudou? Mudou o governo e a pessoa que dá as ordens a eles. Os militares recebem ordens, as forças de segurança recebem ordens."

O governo inicialmente descartou qualquer conduta imprópria da polícia. A ministra de Segurança, Patricia Bullrich, sugeriu que Maldonado poderia ter sido ferido em um ataque ao zelador de uma propriedade de Benetton ou ter sido levado para o outro lado da fronteira, ao Chile.

Cartazes com fotos de Maldonado pedindo informação sobre ele podem ser vistos em Buenos Aires, inclusive dentro do palácio presidencial. Na semana passada, um ato em frente à Casa Rosada, como o palácio presidencial é conhecido, acabou em violência, com 31 presos.

Recompensa milionária

O governo começou a ampliar sua resposta.

Na semana passada, o presidente Macri prometeu intensificar os esforços para localizar Maldonado. Ele enviou o secretário de Direitos Humanos, Claudio Avruj, à Patagônia para se reunir com o juiz que investiga o caso e o governo elevou a 2 milhões de pesos (US$ 116.000) a recompensa por informações sobre o paradeiro de Maldonado.

O governo também mudou de tática no que diz respeito à possível participação de forças de segurança. Avruj disse em entrevista de rádio em 6 de setembro que o governo "sabe que a hipótese mais forte aponta para a polícia de fronteira".

Os investidores estão tratando as eleições legislativas de outubro como um teste sobre o apoio aos esforços de Macri para abrir a economia e concentraram suas atenções na disputa de Cristina pela província de Buenos Aires, que representa cerca de 40 por cento da população e do produto interno bruto da Argentina.

"Se o caso de Maldonado não existisse, estaríamos observando um rápido crescimento da diferença entre Esteban Bullrich e ela", disse Jones. Isto é "realmente uma corda salva-vidas para a campanha dela na província de Buenos Aires".

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