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Aurelius enfrenta Tanure para tentar tirar processo Oi do país

Tiffany Kary, Fabiola Moura e Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- O Aurelius Capital Management tem um longo -- e em grande parte bem sucedido -- histórico em algumas das reestruturações mais contenciosas da última década, incluindo a da dívida soberana da Argentina.

Mas o fundo nunca se deparou com alguém como Nelson Tanure, o executivo brasileiro de 65 anos, com cabelos grisalhos ondulados escasseando-se nas têmporas e óculos retangulares, que se auto-impôs a missão de recriar a maior empresa de telecomunicações do seu país.

Usando a lei de recuperação judicial brasileira, que protege os acionistas mais do que a lei americana, Tanure está se mostrando uma pedra no sapato do Aurelius e de outros investidores da Oi SA, operadora da segunda maior rede de fibra óptica do mundo. Depois de construir uma posição na Oi e conquistar assentos no conselho, Tanure viu alguns dos seus interesses alinhados com vários fundos de hedge dos EUA, alguns dos quais com a aposta incomum de comprar ações de uma empresa insolvente.

Denunciando o que ele chama de táticas "abutre" do Aurelius em relação à dívida de duas unidades da Oi na Holanda, Tanure -- uma voz forte em assuntos chave da reestruturação de $19 bilhões em dívidas da operadora -- pode ter encontrado um novo amigo diante um inimigo em comum: um grupo de fundos de hedge que detêm dívidas da Oi que não as emitidas pelas unidades holandesas. Embora este grupo tenha se unido ao grupo de credores ao qual pertence o Aurelius para apresentar um plano de reestruturação "alternativo" para a Oi, eles discordam quando o assunto é a tentativa de levar o processo para o tribunal holandês.

A disputa da Oi, cujos participantes são uma espécie de álbum de figurinhas virtual das celebridades do setor de créditos podres, está chegando a um ponto crítico. O gestor da massa falida das unidades holandesas pedirá a um juiz de falências de Nova York, esta semana, para permitir que a falência das unidades constituídas na Holanda sejam processadas naquele país e não no Brasil. Tanto a Oi, com o apoio de Tanure, quanto os outros detentores de dívida se opõem ao pedido.

O resultado pode aumentar os ganhos para o Aurelius e outros detentores da dívida emitida na Holanda ou fazer com que a sua aposta na dívida podre da Oi -- que já está em discussão há mais de um ano -- vá para o buraco.

O Aurelius, com sede em Nova York, não quis comentar.

A Oi "acredita que a Corte dos Estados Unidos manterá a decisão, concedida no ano passado, que reconheceu a Justiça brasileira como foro principal para processar e julgar a recuperação judicial da companhia, até porque os fundamentos que basearam aquela decisão permanecem os mesmos," a empresa disse em um e-mail em resposta ao pedido de comentário da Bloomberg.

Enquanto isso, o futuro da única provedora de serviços de telefonia para centenas de municípios brasileiros está na corda bamba, com a Anatel, agência reguladora do setor de telefonia, ameaçando desmantelá-la caso a recuperação judicial não seja bem sucedida.
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"Não se trata do Aurelius contra um acionista ou contra a Oi, mas o Aurelius
contra a lei brasileira," disse Tanure em entrevista, acrescentando que a estratégia do Aurelius de levar a reorganização da Oi para fora do país "não tem sentido prático".

--Com a colaboração de Larry Reibstein

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