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Ameaça de robôs a trabalhadores leva startup alemã aos airbags

Oliver Sachgau

(Bloomberg) -- Dois anos atrás, um robô esmagou e matou um homem de 22 anos de idade em uma fábrica da Volkswagen na Alemanha depois que o operário de manutenção ficou preso em uma área normalmente proibida para seres humanos. Embora este tipo de tragédia ainda seja relativamente raro, a iniciativa para melhor a segurança está se intensificando à medida que fábricas de todo o mundo se tornam cada vez mais automatizadas.

Agora, em um empreendimento que atraiu o interesse de fabricantes de automóveis como a Volkswagen, os empreendedores Roman Weitschat e Hannes Hoeppner, que trabalham no Centro Aeroespacial Alemão, nos arredores de Munique, afirmam ter criado uma forma de proteger melhor as interações entre seres humanos e robôs com o objetivo de possibilitar que os dois lados trabalhem mais de perto.

A Cobotect, empresa recém-criada por eles, está usando o conceito de airbags existente há décadas para proteger peças automatizadas potencialmente perigosas e evitar que os trabalhadores se machuquem. Com o aumento da segurança, os robôs poderiam operar de forma mais eficiente e a um ritmo mais rápido quando estiverem perto de seres humanos, segundo os pesquisadores.

"Muitas pessoas se queixavam da insegurança dos robôs e das ferramentas robóticas", disse Weitschat, em entrevista, em seu laboratório. As bordas afiadas de peças operadas por braços robóticos podem representar riscos para os trabalhadores caso sejam atingidos acidentalmente, o que torna difícil conseguir aprovação para que as máquinas sejam posicionadas perto de seres humanos, disse ele.

A morte na Alemanha, e uma situação difícil nos EUA, são evidências dos possíveis perigos representados pela automação industrial. Apesar de não existirem estatísticas globais prontamente disponíveis, uma busca pelo site do Departamento de Trabalho dos EUA a respeito de acidentes envolvendo robôs mostra uma leitura desagradável. Entre os 38 incidentes ocorridos entre 1987 e 2016 há funcionários amputados, asfixiados, atingidos ou esmagados por robôs, incluindo o mais recentemente documentado: um acidente fatal em uma fábrica da Nissan, há quatro anos.

Inovação

Os operários das fábricas de automóveis parecem estar particularmente em risco desde 1979, quando outro jovem trabalhador, desta vez em uma fábrica da Ford Motor em Michigan, se tornou a primeira pessoa considerada morta por um robô.

A equipe da Cobotect começou a trabalhar em março de 2016 em um protótipo agora concluído. Vídeos e demonstrações mostram um braço robótico com um airbag costurado à mão preso à sua garra inflando e desinflando. A geringonça empurra e depois acerta a cabeça de uma pessoa, que se afasta ilesa. O produto ganhou um prêmio de inovação da fabricante de robôs industriais Kuka na maior feira industrial alemã, em Hanôver.

A dupla de pesquisadores busca um investidor estratégico para a empresa para ajudar a financiar a produção de airbags em larga escala. Eles atraíram interesse pelos produtos, especialmente das fabricantes de automóveis da Alemanha, segundo a Weitschat.

A Volkswagen está "em contato com a Cobotect e observa seus avanços em relação à segurança", informou uma porta-voz. "Assim que os protótipos utilizáveis estiverem disponíveis, examinaremos possíveis aplicações, embora nenhuma decisão tenha sido tomada."

--Com a colaboração de Alice Baghdjian

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