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UE se inclina para China em batalha contra mudanças climáticas

Ewa Krukowska, Jonathan Stearns e Nikos Chrysoloras

(Bloomberg) -- A Europa e a China estão intensificando a cooperação na batalha contra o aquecimento global, disse um alto funcionário da UE, e os EUA estudam envolver-se novamente no histórico Acordo de Paris, que tem por objetivo reduzir a emissão dos gases causadores do efeito estufa.

A União Europeia, formada por 28 países, levará adiante os esforços de proteção ao meio ambiente passando para uma economia de baixo carbono e reduzindo sua dependência em relação aos combustíveis fósseis, disse Frans Timmermans, primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, em entrevista, em Bruxelas. A UE representa cerca de 12 por cento das emissões globais e a China, em torno de 20 por cento.

"Os chineses enfrentam um desafio tão grande que é possível ver o senso de urgência cada vez mais predominante por lá, e a disposição para cooperar conosco está se tornando cada vez mais forte", disse Timmermans. "As pessoas estão sufocando nas cidades de algumas regiões da China. Os chineses sabem que precisam fazer algo a respeito urgentemente. E estão avançando a uma velocidade incrível em algumas regiões."

Para cumprir suas metas de redução do carbono, fixadas em 20 por cento até 2020 e em 40 por cento até 2030, a UE passou a optar por fontes de energia sustentáveis e criou o maior mercado de carbono do mundo. No momento em que a China intensifica sua luta contra a poluição atmosférica e a UE ajuda Pequim a projetar um programa nacional de limite e comércio de emissões, os investidores aguardam sinais políticos a respeito de uma ligação futura entre os dois sistemas e uma cooperação mais próxima sobre tecnologias de energia limpa.

Reaproximação de Trump

Em um fato que pode ser decisivo na luta contra o aquecimento global, autoridades norte-americanas afirmaram no fim de semana que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, pode reverter sua decisão anterior de abandonar o acordo climático de Paris. Trump, que afirmou que as mudanças climáticas são uma mentira perpetrada pelos chineses, iniciou no mês passado o processo formal de saída do acordo.

Em discurso em Montreal, no sábado, o comissário da UE para o clima, Miguel Arias Cañete, disse em entrevista que os EUA haviam sinalizado o desejo de voltar a se envolver com o Acordo de Paris estando dentro em vez de retirar-se do pacto diretamente para depois tentar renegociá-lo.

"Sob as circunstâncias certas, o presidente disse estar aberto a encontrar as condições segundo as quais poderemos continuar envolvidos com os demais em algo que todos nós concordamos que ainda é uma questão desafiadora", afirmou o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, no domingo.

Fechado em dezembro de 2015, o acordo uniu mais de 190 países em um compromisso para reduzir as emissões de combustíveis fósseis. Cañete, da UE, fez os comentários sobre a mudança de postura após reunião com Everett Eissenstat, vice-diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA.

"A disposição não apenas na Europa, mas também globalmente, de não deixar esse acordo ser desfeito é muito forte", disse Timmermans. "Talvez neste verão eu estivesse um pouco chocado com a decisão do governo Trump, mas também penso que as pessoas são encorajadas pelo fato de que muitos, muitos nos Estados Unidos veem essa questão de forma diferente."

Timmermans, que discursa em uma conferência do Fórum Econômico Mundial em Nova York sobre desenvolvimento sustentável nesta segunda e na terça-feira, disse esperar que a luta contra as mudanças climáticas nos EUA seja conduzida pelas cidades e pelos cidadãos.

--Com a colaboração de Anna Edwards e Jones Hayden

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