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Uber analisa possíveis operações ilegais na Ásia, dizem fontes

Eric Newcomer

(Bloomberg) -- A Uber Technologies, que está sendo investigada pelo governo federal dos EUA sobre uma possível violação de leis contra subornos no exterior, começou a examinar suas operações na Ásia e informou autoridades dos EUA sobre pagamentos realizados por funcionários na Indonésia, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

Enquanto o Departamento da Justiça analisa um possível processo criminal, a Uber está trabalhando com o escritório de advocacia O'Melveny & Myers para examinar registros de pagamentos no exterior e entrevistar funcionários, fato que gera dúvidas sobre por que algumas transações comerciais possivelmente problemáticas não foram divulgadas antes, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque os detalhes são confidenciais.

Advogados estão concentrados em atividades suspeitas em pelo menos cinco países asiáticos: China, Índia, Indonésia, Malásia e Coreia do Sul. Por exemplo, o escritório de advocacia da Uber está examinando uma rede de acordos financeiros ligados ao governo malaio que pode ter influenciado legisladores desse país, disseram as pessoas.

A Uber afirmou que está cooperando com os investigadores, mas não quis fazer mais comentários. Wyn Hornbuckle, um porta-voz do Departamento de Justiça, não quis comentar.

No final do ano passado, a Uber entrou em conflito com a polícia indonésia pela localização de um escritório em Jacarta que dava apoio a motoristas locais, disseram pessoas com conhecimento do assunto. Policiais disseram que o espaço estava fora do zoneamento da cidade para empresas, e um funcionário da empresa decidiu fazer vários pagamentos pequenos à polícia para dar continuidade às operações lá, disseram as pessoas. As transações apareceram nos relatórios de despesas do funcionário, descritas como pagamentos às autoridades locais.

A Uber demitiu o funcionário, disseram as pessoas. Alan Jiang, diretor da divisão indonésia da empresa que aprovou o relatório de despesas, foi colocado em licença e depois deixou a empresa. Jiang não deu retorno a pedidos de comentários.

Pelo menos um membro da equipe jurídica da Uber decidiu inicialmente não informar o incidente às autoridades dos EUA quando soube da situação, no final do ano passado, disseram as pessoas. Depois que o Departamento da Justiça entrou em contato com a Uber sobre as possíveis violações da Lei de Práticas Corruptas no Exterior, a Uber informou os funcionários sobre o acontecido na Indonésia. O Departamento da Justiça dos EUA pode ser mais indulgente se uma empresa divulgar informação voluntariamente.

O escritório de advocacia da Uber também está investigando uma doação corporativa de dezenas de milhares de dólares, anunciada em agosto de 2016, feita ao Malaysian Global Innovation and Creativity Centre, um centro de empreendedorismo financiado pelo governo. Por volta daquela época, um fundo de previdência malaio, o Kumpulan Wang Persaraan (Diperbadankan), investiu US$ 30 milhões na Uber, disseram pessoas com conhecimento da transação. Menos de um ano depois, o governo malaio aprovou leis nacionais de transporte compartilhado favoráveis à Uber e a empresas do tipo. Os advogados estão tentando determinar se houve algum tipo de contrapartida.

Emil Michael e Eric Alexander, dois ex-executivos corporativos da Uber, desempenharam papéis fundamentais na negociação dessas transações, disseram as pessoas.

"Refutamos enfaticamente nosso envolvimento em qualquer arranjo de contrapartidas", disse por e-mail uma porta-voz do Malaysian Global Innovation and Creativity Centre.

--Com a colaboração de Tom Schoenberg e Anisah Shukry

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