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Lucro decepcionou ou surpreendeu? MiFID dificulta esta resposta

Julie Edde e Rebecca Penty

(Bloomberg) -- O resultado divulgado por determinada empresa foi satisfatório ou não?

Vai ficar mais difícil responder a esta pergunta no ano que vem, quando entram em vigor na Europa regulamentos que alteram como os investidores pagam por pesquisas de analistas.

A Diretiva de Mercados em Instrumentos Financeiros (conhecida pela sigla MiFID II) forçará bancos a diminuir a cobertura de determinadas companhias devido a uma guerra de preços que exige corte de custos. A prática de comparar os números divulgados pelas empresas com as estimativas de "consenso" pode ser vítima dos esforços para tornar os mercados mais transparentes. No caso de companhias menores (small caps), isso pode provocar oscilações mais dramáticas nos preços das ações.

"Se a cobertura diminui, a liquidez diminui, a volatilidade aumenta e os múltiplos caem", disse Leigh Drogen, da Estimize, firma que compila estimativas submetidas por gestores de fundos em vez de analistas de bancos. "A cobertura das estimativas de bancos e corretoras é um aspecto muito importante da liquidez, especialmente para small caps", ele argumentou.

Centenas de vagas de análise tendem a desaparecer porque os bancos vão gastar US$ 1,2 bilhão a menos na geração em massa de pesquisas e se empenhar mais em estudos sob medida para um público leitor mais específico, segundo relatório da McKinsey.

Esse movimento pode resultar na sobrevivência dos mais fortes. No entanto, muitas empresas serão pequenas demais para gerar interesse e as grandes podem analisadas por um número menor de profissionais.

Vulnerabilidade

Depois que MiFID entrar em vigor, companhias com valor de mercado inferior a 2 bilhões de euros (US$ 2,3 bilhões) ficarão particularmente vulneráveis porque os bancos se concentrarão nas maiores e naquelas com maior volume de negócios no mercado acionário, alertaram executivos do Bank of America durante um evento recente dedicado a profissionais de relações com investidores.

Em relatório divulgado em agosto, o banco de investimento Jefferies alertou que o volume de negócios com small caps pode diminuir se os analistas desistirem de cobrir essas empresas.

A União Europeia quer que gestoras de recursos que agem em nome de investidores individuais e fundos de pensão paguem separadamente os bancos por pesquisas e serviços de negociação de instrumentos financeiros. A partir de janeiro, a nova regulamentação efetivamente rompe o relacionamento tradicional entre essas partes.

As gestoras de recursos e investidores institucionais ficaram encarregados de decidir se absorvem ou repassam ao cliente final o custo de comprar pesquisas, enquanto bancos e corretoras tentam decidir no que seus analistas precisam se concentrar e como definir o preço desses serviços. A francesa Natixis já cobra algumas empresas para que seus analistas dediquem-se a elas.

A Bloomberg LP, controladora da Bloomberg News, oferece dados e análises para cumprimento de MiFID II.

Projeções de consenso compiladas por Bloomberg, FactSet e Thomson Reuters são amplamente utilizadas por investidores e corretoras de ações e frequentemente são fator determinante do desempenho das ações. No dia em que uma empresa divulga balanço, a oscilação da ação demonstra se os números ficaram abaixo ou acima da estimativa média ou mediana.

Para esse consenso ser relevante, é preciso haver pelo menos oito analistas "sérios" no caso das small caps, de acordo com Geoffrey Mills, diretor em Londres da Oppenheimer, corretora que acompanha revisões nas estimativas para 5.000 companhias.

Sem profundidade, nada garante que os números não têm viés porque, normalmente, quatro firmas que divulgam estimativas também prestam serviços de banco de investimento às mesmas empresas, ele explicou.

--Com a colaboração de Trista Kelley

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