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Cinco fatores que minimizam o rebaixamento da dívida chinesa

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Para muitos países, uma redução na classificação da dívida soberana provocaria um aumento nos rendimentos e dificuldades extras para as empresas que buscam captar dinheiro no exterior. Mas este não é o caso da China.

O rebaixamento da nota do país pela S&P Global Ratings, mais de quatro meses após a Moody's Investors Service fazer o mesmo, mal foi sentido nos mercados de títulos da China. O banco estatal Postal Savings Bank of China, por exemplo, vendeu a maior quantidade de dívidas em dólares desde a emissão da Alibaba Group Holding em 2014 apenas algumas horas após o anúncio da S&P.

Apesar de as mudanças na classificação de crédito em qualquer caso apresentarem um histórico variado no que diz respeito à influência sobre os preços a longo prazo, o panorama da dívida da China é muito mais isolado do que o dos demais países desenvolvidos e até do que o dos emergentes, dado o controle exercido de cima para baixo pelo Partido Comunista sobre a economia e os mercados financeiros.

Estes são os principais motivos pelos quais essa queda na classificação não afeta os títulos do país:

1. Os chineses detêm a maior parte da dívida

Devido aos obstáculos ao investimento de fora, os estrangeiros respondem apenas por uma minúscula parcela do mercado de títulos interno da China, embora Pequim tente corrigir isso por meio de iniciativas como a conexão com Hong Kong, criada em julho. Os investidores chineses dão menos importância às opiniões das agências de classificação ocidentais, especialmente porque as próprias autoridades e a mídia estatal rechaçam as avaliações dessas agências.

2. Os rendimentos são realmente elevados

Para os investidores chineses o rendimento é tudo o que importa e os compradores locais tendem a ignorar os alertas que costumam paralisar os investidores de fora da China devido à percepção de que Pequim sempre resgata os emissores inadimplentes.

Embora essa visão esteja mudando, pois as autoridades têm permitido mais calotes, os créditos da China oferecem um prêmio significativo pela exposição ao segundo maior mercado econômico e consumidor do mundo.

3. O Estado

A China exerce muito controle sobre seus mercados locais e embora a atuação do governo nem sempre provoque as consequências desejadas -- como ficou claro na sequência de disparada e queda das ações em 2015 --, as autoridades tendem a amenizar as oscilações dos ativos, especialmente antes de acontecimentos políticos importantes.

4. A dívida corporativa não é tão ruim assim

Ainda não se sabe o que pensar em relação à alavancagem bancária chinesa, mas o coeficiente de dívida/capital das empresas na verdade vem caindo, sendo que os níveis entre as maiores empresas não financeiras são os mais baixos desde 2010.

5. A China tem muito pouca dívida externa

A China não toma muitos empréstimos no exterior, o que também limita o impacto da queda na classificação.

Como percentual da dívida total os empréstimos da China no exterior estão na casa de um dígito médio, muito abaixo da dívida do Japão, do Reino Unido e até do Canadá, mostram análises da Bloomberg Intelligence.

--Com a colaboração de Narae Kim Eric Lam Denise Wee Lianting Tu David Yong Tom Orlik (BI Economist) e Justin Jimenez (BI Associate)

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