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Bombardier é ferida em duas frentes com ameaças a trens e jatos

Frederic Tomesco

(Bloomberg) -- O plano de recuperação da Bombardier está sendo ameaçado por desafios maiores ao negócio ferroviário da empresa e a seu avião mais moderno.

A fabricante canadense corre o risco de ser deixada de lado pela alemã Siemens, que atualmente avalia um acordo relacionado a equipamentos ferroviários com a francesa Alstom após meses de negociações com a Bombardier. Em separado, o governo dos EUA deve decidir nesta semana se aplicará tarifas à aeronave CSeries da Bombardier após queixa da Boeing.

Ambas as situações comprometem o esforço de dois anos do CEO Alain Bellemare para remodelar a Bombardier, que também conta com apoio financeiro de Quebec e do governo federal do primeiro-ministro Justin Trudeau. A perda do acordo com a Siemens enfraqueceria a unidade ferroviária da Bombardier, sua maior divisão, diante de uma líder chinesa maior do setor. Uma decisão comercial adversa nos EUA prejudicaria a demanda por seu avião mais caro, o CSeries.

"Seria uma derrota para a Bombardier se a Alstom e a Siemens se juntassem, porque isso a deixaria no vácuo", disse Karl Moore, professor de estratégia de gestão da Universidade McGill, de Montreal. "Ao mesmo tempo, a empresa corre o risco de ver o CSeries ser deixado de fora do mercado dos EUA até que a questão dos impostos seja resolvida, o que levará alguns meses."

A Bombardier caía 6,8 por cento, para 2,08 dólares canadenses, às 11h09 em Toronto, depois de recuar 8,1 por cento no maior declínio intradiário em mais de três meses. As ações B, que são amplamente negociadas e já estavam em uma série de três dias de prejuízos antes de segunda-feira, registram o nível mais baixo em quatro meses.

Alstom-Siemens

A Alstom afirmou na sexta-feira que negocia com a Siemens uma possível combinação de seus negócios ferroviários, acrescentando que "nenhuma decisão final foi tomada". A confirmação veio horas depois de o governo francês sinalizar que apoia laços corporativos mais profundos com a Alemanha, sugerindo que um acordo entre Levallois-Perret, a francesa Alstom e a Siemens, que tem sede em Munique, teria apoio político.

A Bloomberg News publicou na quinta-feira que a Siemens estava negociando com a Alstom e a Bombardier, o que dava à empresa alemã duas opções em sua busca por consolidação. Embora tenha preferido não comentar especificamente sobre suas concorrentes, a Bombardier afirmou na sexta-feira que estava estudando "múltiplas opções" para seu negócio ferroviário -- repetindo uma frase usada anteriormente por Bellemare.

Ser deixada no altar "é um novo risco" para a Bombardier, que tem sede em Montreal, disse David Tyerman, analista da Cormark Securities em Toronto. "A Bombardier será aquela pessoa que fica sem parceiro para dançar. Se a geopolítica entrar em campo, eles realmente não terão ninguém em sua área."

As empresas ferroviárias estão tentando unir forças para competir com a CRRC, a chinesa que lidera o setor, formada a partir da fusão das duas principais fabricantes regionais de trens do país, em 2015. A empresa controla cerca de metade do mercado global de vagões e locomotivas, estimou a Desjardins Capital Markets em relatório, neste ano, contra participações de 12 por cento de Bombardier e Siemens e de cerca de 11 por cento da Alstom.

--Com a colaboração de Andrew Mayeda

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