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Bradesco: Oferta de ações, dívida podem não dar conta de demanda

Felipe Marques

(Bloomberg) -- As ofertas de ações no Brasil quadruplicaram neste ano e há R$ 10 bilhões (US$ 3,2 bilhões) em novas ofertas por vir. Ainda assim, podem faltar ativos para atender a crescente demanda, de acordo com a segunda maior firma de gerenciamento de ativos do país.

"Ainda não temos ativos suficientes para o tamanho da demanda que está por vir com a queda dos juros", disse Denise Pavarina, diretora-gerente do Banco Bradesco, em entrevista. Denise, que ajuda a administrar R$ 591,6 bilhões no braço de gerenciamento de ativos do banco, espera um "rearranjo nas aplicações financeiras" no qual o dinheiro deixará os títulos soberanos e fluirá para fundos imobiliários, ações e multimercados.

Essa mudança está ganhando força em um momento em que as taxas de juros se dirigem a uma mínima recorde, derrubando os rendimentos dos títulos soberanos -- o investimento favorito do setor brasileiro de fundos, que totaliza R$ 3,58 trilhões em ativos sob gestão. O Banco Central já reduziu a taxa Selic dos 14,25 por cento de um ano atrás para 8,25 por cento. A taxa provavelmente atingirá uma mínima histórica de 7 por cento até o fim do ano, segundo uma pesquisa de mercado realizada pelo BC.

Um dos fundos do próprio Bradesco mostra como essa tendência poderia afetar as alternativas dos investidores. O retorno total do fundo Bradesco FI Multimercado Absoluto, que detém um misto de títulos soberanos, ações e ativos estrangeiros, foi de quase 13 por cento no ano passado, contra 14 por cento da taxa interbancária média do Brasil, a principal referência de renda fixa do País. Neste ano, o fundo do Bradesco deu retorno de mais de 17 por cento, enquanto a taxa de referência caiu para cerca de 7,9 por cento.

"Os investidores brasileiros foram seduzidos durante muito tempo por altos juros", disse Denise.

Ofertas de ações

As ofertas de ações no Brasil totalizaram R$ 30,1 bilhões até esta altura do ano, valor que contrasta com os R$ 5,67 bilhões do mesmo período de 2016 e que configura o maior valor para o período desde 2008, segundo dados compilados pela Bloomberg. As ofertas que estão por vir, como o IPO da processadora de alimentos Camil e a oferta subsequente de ações (follow on) da Magazine Luiza, podem totalizar R$ 10 bilhões com base nos prospectos.

A emissão de títulos de dívida local totalizou R$ 43,2 bilhões neste ano até o momento, um aumento de 57 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado, quando uma grande oferta de R$ 5 bilhões da Petrobras ampliou o volume.

Aproximadamente R$ 791 bilhões estavam investidos em multimercado em julho, 26 por cento a mais que no mesmo período do ano passado, segundo dados da Anbima, a associação dos mercados de capital do Brasil.

A BRAM, braço de gestão de ativos do Bradesco, está buscando se adaptar a esse novo mundo, disse Denise. O banco reabriu um fundo que investe em outros fundos imobiliários e busca captar cerca de R$ 130 milhões.

"Com a queda dos juros, todos buscarão alternativas de investimento", disse Denise.

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