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Acionistas atacam Starbucks e Google por políticas de gênero

Emily Chasan

(Bloomberg) -- Investidores focalizados em questões sociais estão descobrindo que a diversidade não se distribui de cima para baixo.

Durante anos, eles pensaram que ter suficientes mulheres nos conselhos e na diretoria produziria políticas mais justas. Agora os investidores estão mudando de tática. Eles dizem que isso não basta e que os empregadores também têm que implementar a igualdade de gênero nos salários e políticas de licença remunerada para atrair e reter mulheres.

A Zevin Asset Management, em uma proposta de acionista inédita, pediu nesta segunda-feira que a Starbucks elabore um relatório sobre sua nova política de licença remunerada, que entrou em vigência em 1 de outubro, afirmando que a abordagem é "particularmente desigual". A empresa oferece 18 semanas de licença remunerada para as mães que trabalham nas sedes corporativas e só seis para as que trabalham nas cafeterias, além de excluir pais e pais adotivos.

"Esta é uma situação de discriminação trabalhista que está prestes a acontecer", disse em entrevista Pat Tomaino, diretor associado de investimentos com responsabilidade social da Zevin, com sede em Boston, que possui mais de 61.000 ações da Starbucks, no valor de cerca de US$ 3,3 milhões. "Queremos nos concentrar em empresas que estejam administrando adequadamente o capital humano e que queiram investir na carreira profissional das mulheres. Essa diferença entre a força de trabalho das sedes e das cafeterias pode derrubar o moral."

'Excepcional'

Jaime Riley, porta-voz da Starbucks, disse que a política anunciada em janeiro é "excepcional" para uma empresa do varejo porque ela é oferecida às funcionárias que trabalham um mínimo de apenas 20 horas semanais, sem exigir antiguidade no cargo.

Outro administrador de ativos, a Arjuna Capital, apresentou nove resoluções de acionistas sobre as diferenças salariais entre os gêneros em empresas de tecnologia no ano passado. Entre elas, Facebook e Alphabet, a controladora do Google, "não tomaram medidas significativas", afirmou a Arjuna em um comunicado na semana passada. "Hoje, a Alphabet é criticada pela falta de transparência sobre igualdade salarial entre os gêneros, o que a expõe a ações federais, coletivas e de acionistas", escreveu Natasha Lamb, sócia administrativa da Arjuna, em uma carta ao presidente da Alphabet, Eric Schmidt, em 26 de setembro.

Neste ano, o Google informou que mulheres ganham 99,7 opor cento do salário dos homens e já forneceu a metodologia utilizada para estipular a remuneração igualitária que a Arjuna pede, disse um porta-voz do Google. No mês passado, três mulheres que trabalharam no Google nos últimos anos entraram com uma ação coletiva no Tribunal Superior de São Francisco acusando a empresa de pagar mais aos funcionários homens do que às colegas mulheres de forma sistemática. O Google afirmou que não concorda com as alegações centrais do processo e que "implementou sistemas extensivos para garantir" salários justos.

Os acionistas estão analisando os detalhes. O principal pedido dos investidores da Aflac neste ano foi mais informações sobre as políticas para garantir a igualdade salarial entre os gêneros, disse Catherine Blades, porta-voz da seguradora. Isso levou a empresa a incluir pela primeira vez em seu relatório de responsabilidade corporativa uma seção detalhada sobre como determinar a igualdade salarial para os funcionários, disse Blades.

"Os investidores e a população estão avançando rapidamente", disse Blades. "As pessoas vão se esforçar para punir as empresas que não estiverem fazendo a coisa certa."

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