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Fã de notícias, CEO do Google acalma editoras com assinaturas

Mark Bergen

(Bloomberg) -- Alguns anos atrás, o Google trocava farpas regularmente com as principais editoras de notícias em público. Hoje, o Google está reajustando seu mecanismo de busca para tranquilizá-las.

A unidade da Alphabet está descartando uma polêmica regra dos resultados de pesquisa para sites de notícias com assinatura e dando-lhes novas ferramentas para atrair mais clientes pagantes. Este é o passo mais importante do Google até o momento para tentar cair nas graças das organizações de notícias que fornecem informações para seu mecanismo de pesquisa, mas que perderam receitas de publicidade com o surgimento da internet. O Facebook, o principal motor de tráfego de notícias on-line, está tomando medidas semelhantes.

A maior mudança é a decisão do Google de eliminar seu programa "primeiro clique gratuito". Esse programa dava prioridade aos artigos nos resultados de pesquisa às editoras que concordavam em oferecer algumas matérias gratuitamente. O Google agora promete indexar todos os veículos de comunicação por assinatura na busca, permitir que as editoras determinem quantos artigos fornecerão gratuitamente através do mecanismo de busca e não as rebaixar se tiverem pouco ou nenhum conteúdo gratuito.

O anuncio da decisão rendeu elogios de lugares incomuns: a News Corp., que frequentemente crítica o Google. O CEO Robert Thomson disse que isso "mudará fundamentalmente o ecossistema de conteúdos" por dar apoio "à criação de modelos de assinatura viáveis e coerentes".

Há apenas dois anos, o Google e a News Corp. entraram em conflito por causa das queixas que a editora apresentou aos órgãos de regulamentação antitruste na Europa. O Google também teve uma relação publicamente atribulada com outras editoras. "Temos medo do Google", escreveu Mathias Döpfner, presidente da gigante editorial alemã Axel Springer, em uma carta aberta em 2014.

O Google ainda não chegou a um acordo sobre as novas condições de compartilhamento de receita com as editoras, mas Richard Gingras, vice-presidente de notícias do Google, disse que "vai ser um modelo muito generoso". O Google oferecerá às editoras novas ferramentas de pagamento on-line, métodos para segmentar leitores e recursos personalizados dentro do Google News para assinantes existentes.

As propostas fazem parte de um esforço mais amplo do Google para dar apoio aos criadores de conteúdo da web. A empresa gera a maior parte de seu lucro possibilitando a busca de informações na internet e vendendo propagandas com os resultados.

Negociações recentes com as editoras se concentraram em carregar os sites mais rapidamente e melhorar os recursos de vídeo, e depois abordaram as assinaturas, de acordo com Philipp Schindler, diretor de negócios do Google. "Estamos totalmente comprometidos com isso -- investindo fortemente, fortemente", disse ele.

Sundar Pichai, o CEO do Google, deu prioridade à iniciativa das assinaturas. "Ele está muito envolvido em várias discussões com as editoras", disse Schindler. "Uma característica maravilhosa de Sundar: ele é um fã de notícias."

As editoras on-line tentaram conquistar assinantes pagantes para reduzir a perda de vendas de propagandas. Mais de 42 por cento da receita de anúncios digitais dos EUA em 2017 irá para o Google, de acordo com a empresa de pesquisa eMarketer. A Bloomberg noticiou em agosto pela primeira vez as ferramentas de inscrição, que o Google testou com The New York Times e The Financial Times.

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