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Governo catalão pode declarar independência em uma semana

Esteban Duarte e Maria Tadeo

(Bloomberg) -- Os líderes separatistas catalães sinalizaram que podem realizar uma declaração unilateral de independência nesta semana depois que centenas de ativistas ficaram feridos no domingo ao tentarem impedir a polícia espanhola de bloquear um referendo ilegal.

O presidente catalão, Carles Puigdemont, pediu apoio à União Europeia e se comprometeu a informar o resultado da votação ao Parlamento regional nos próximos dias. A assembleia então atuará em conformidade com a lei do referendo, disse Puigdemont -- e isso pode levar a uma declaração unilateral de independência dentro de 48 horas após a notificação.

"Os cidadãos da Catalunha ganharam o direito de ter um estado independente", disse Puigdemont, em declaração televisionada, acompanhado por membros de sua administração regional.

Dois milhões de catalães apoiaram a independência dentro dos 2,3 milhões de votos totais, disse o porta-voz do governo, Jordi Turull, em entrevista coletiva, nas primeiras horas dessa segunda-feira. Pouco mais de 5 milhões de pessoas podiam votar. Antes do início da repressão do governo, os líderes separatistas afirmaram que se sentiriam confortáveis para declarar a independência com cerca de 1,8 milhão de votos.

Puigdemont poderia anunciar a formação de uma república catalã em 6 de outubro, exatamente 83 anos desde que seu antecessor como presidente regional, Lluis Companys, também declarou a independência. Companys foi executado pela ditadura de Francisco Franco.

"Os acontecimentos da Catalunha fizeram o euro cair no início das negociações, mas é pouco provável que causem efeitos negativos mais amplos sobre os preços dos ativos europeus", disse Khoon Goh, chefe de pesquisa para a Ásia do Australia & New Zealand Banking Group em Cingapura. "Poderíamos ver o euro cair mais especialmente se o Federal Reserve, dos EUA, confirmasse sua retórica a favor do aperto e se as reformas tributárias nos EUA ganhassem impulso."

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, enfrenta a maior crise constitucional de seu país desde a morte de Franco, em 1975, e Puigdemont busca aproveitar décadas de frustração para separar a Catalunha da Espanha. À frente de um governo minoritário, Rajoy luta para manter sua autoridade em meio à perda de aliados no Parlamento nacional e representantes de seu governo têm dificuldades para fazer cumprir a lei na região rebelde.

Uma declaração de independência não teria força legal, e provavelmente não seria reconhecida pela comunidade internacional, mas constituiria um desafio histórico à autoridade do governo espanhol e das instituições do Estado.

"Provamos que nossa lei tem recursos para repelir um ataque desta magnitude à democracia", disse Rajoy, em declaração televisionada. "Não há nenhum outro culpado além daqueles que organizaram um ato ilegal e quebraram nossos laços comuns. Nós testemunhamos um tipo de comportamento que seria repugnante em qualquer democrata: a doutrinação de crianças, a perseguição de juízes e jornalistas."
Puigdemont descreveu a repressão como um "uso injustificado, excessivo e irresponsável de violência".

"A União Europeia já não pode olhar para o outro lado", disse ele, após o fechamento das urnas. "Deve agir com rapidez para manter sua autoridade moral dentro e fora do continente em um momento em que esses abusos estão escandalizando homens e mulheres bons em todo o mundo."

--Com a colaboração de Rodrigo Orihuela Charles Penty Thomas Gualtieri e Netty Idayu Ismail

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