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Aplicativo quer convencer argentinos a tirar dinheiro do colchão

Katia Porzecanski e Carolina Millan

(Bloomberg) -- Em um país onde a desconfiança em relação aos bancos faz com que as pessoas prefiram guardar dinheiro debaixo do colchão a depositá-lo em uma conta-corrente, um aplicativo de serviços bancários para dispositivos móveis financiado pelo bilionário George Soros quer revolucionar o modo como os argentinos lidam com o dinheiro.

O empreendimento Ualá, que lança hoje seu aplicativo, oferece aos argentinos adeptos da tecnologia uma alternativa bancária de baixo custo por meio dos smartphones. Entre os financiadores da empresa estão a Point72 Ventures, de Steve Cohen, e a Bessemer Venture Partners, do Vale do Silício.

No governo do presidente Mauricio Macri, a economia está começando a se recuperar após anos de isolamento dos mercados globais, controles de capitais, políticas protecionistas e uma inflação altíssima. Ualá - um trocadilho entre "wallet" (carteira, em inglês) e "voilà" - vê uma oportunidade na escassa penetração bancária do país: menos de metade da população tem conta bancária, segundo o Banco Mundial. Mais de 50 por cento dos argentinos recebem o salário em dinheiro vivo, e quase um terço daqueles cujos salários são depositados sacam todo o dinheiro imediatamente.

"Queremos resolver a falta de penetração bancária na Argentina e chegar às pessoas que não têm conta em banco", disse em entrevista o fundador de Ualá, Pierpaolo Barbieri, 30. "Aproveitando a tecnologia, queremos passar do século 20 ao 21, onde bancos já não tenham mais que ser um lugar físico."

Na Argentina, 40 por cento da população já têm smartphone - e essa taxa vai atingir 70 por cento até 2020, segundo a GSM Association, uma associação do setor. Usuários abrem uma conta Ualá no aplicativo e recebem um cartão Mastercard pré-pago. Não são cobradas taxas de abertura, fechamento, manutenção nem renovação.

Resistência

É possível carregar dinheiro no cartão no Pago Fácil, um serviço de transferência de dinheiro e pagamento de contas, que pertence à Western Union e tem milhares de pontos na Argentina, ou com depósitos diretos de uma conta bancária. Os clientes podem sacar fundos de caixas eletrônicos sem custo duas vezes por mês e depois pagam só o que a rede do caixa cobrar. Com o aplicativo, eles podem transferir dinheiro entre contas, pagar contas, receber notificações em tempo real sobre o uso do cartão e análises de gastos - tudo gratuitamente.

Ualá terá que superar a resistência à poupança bancária dos argentinos, que padeceram anos de inflação com dois dígitos. Contas bancárias foram congeladas durante a crise da dívida do país em 2001 - imediatamente antes de o governo abandonar uma ligação cambial, medida que reduziu essas economias a um quarto de seu valor.

"Analisamos a inovação financeira no mundo, e ela tende a ser mais poderosa quando concorre contra os bancos com margens muito altas e uma experiência terrível para o consumidor", disse por e-mail Brian Feinstein, sócio da BVP. "Esse é exatamente o ambiente atual na Argentina, por isso Ualá está em uma boa posição para causar repercussões e conquistar uma participação no mercado."

--Com a colaboração de Charlie Devereux

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