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Novo CEO da Uber tenta apagar em Londres um dos vários incêndios

Adam Satariano e Giles Turner

(Bloomberg) -- Quando o novo CEO da Uber aterrissar em Londres, ele encontrará um órgão regulador irado, motoristas divididos, rivais fortalecidos e uma importante gerente regional que acabou de anunciar sua saída.

Dara Khosrowshahi estará na capital do Reino Unido para uma reunião de emergência nesta terça-feira com autoridades de transporte para tentar salvar os negócios da empresa em seu maior mercado europeu.

A chegada de Khosrowshahi é um sinal do dano que a proibição de Londres poderia causar aos negócios da empresa. Ele comparecerá à reunião, apesar de também estar envolvido em uma batalha no conselho em São Francisco com o ex-CEO e cofundador Travis Kalanick. O conselho deve realizar nesta terça-feira uma votação sobre uma grande venda de ações para a SoftBank Group e sobre regras de governança que diminuiriam a influência de Kalanick.

Há menos de dois meses no cargo, Khosrowshahi enfrenta desafios que vão desde a administração até os motoristas. Na segunda-feira, a gerente responsável pelo Reino Unido e pelo Norte da Europa, Jo Bertram, disse que sairia, depois de quatro anos na empresa. Bertram, que foi fundamental na construção dos negócios da Uber em Londres, disse que sua partida não está relacionada ao licenciamento e que ela assumirá um novo trabalho fora da Uber.

Porta-vozes da Uber e da Transport for London, a autoridade de trânsito, não quiseram comentar detalhes da reunião.

Protestos em Londres

Enquanto isso, os motoristas em Londres estão divididos sobre se apoiar ou protestar contra a Uber. Na semana passada, motoristas da Uber estavam entre as pessoas que se reuniram na porta de um tribunal de emprego do Reino Unido para criticar a empresa com sede em São Francisco pela remuneração ruim e pela falta de benefícios, argumentando que a companhia classifica os motoristas de forma injusta, como prestadores de serviços, em vez de empregados, para economizar dinheiro e fugir das responsabilidades judiciais. Os juízes estão decidindo se a Uber precisa classificar os motoristas como trabalhadores com direito a mais benefícios, uma mudança potencialmente significativa para os negócios da Uber.

No entanto, os motoristas também criticam os reguladores do transporte de Londres que revogaram a licença da Uber, uma medida que poderia tirar milhares de motoristas das ruas ? cerca de 40.000 na cidade, de acordo com a Uber. Os motoristas sentem que foram deixados de lado no acelerado debate de Londres sobre como regular a chamada economia dos bicos e se sentem sufocados pela falta de empregos alternativos.

A batalha em Londres adquiriu um viés político. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, um político trabalhista, apoia a decisão do órgão regulador, e a primeira-ministra do Reino Unido e líder do Partido Conservador, Theresa May, disse que o plano da cidade ameaça empregos e é "desproporcional".

No Reino Unido, cerca de 1,3 milhão de pessoas trabalham na economia de bicos, empregos que se baseiam principalmente em contratos de curto prazo ou freelance. O debate sobre a Uber está sendo acompanhado de perto porque poderia influenciar outros governos em todo o mundo que estão tentando implementar novas políticas para o setor. A União Europeia também tem debatido medidas políticas para proteger melhor os trabalhadores.

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