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Mercado da hepatite C é pior do que Wall Street imagina: Gadfly

Max Nisen

(Bloomberg) -- Agora restam três.

Tanto a Johnson & Johnson quanto a Merck interromperam recentemente o desenvolvimento de medicamentos para tratar a hepatite C (HCV), sem planos para trabalhar em outros. Essa desistência deixa o mercado dividido principalmente entre a Gilead Sciences, a AbbVie e um remédio que a Merck já tem no mercado.

Esse é um indício de boas notícias para a Gilead, a líder do mercado. Mas "indício" é a palavra-chave: o mercado da HCV continua fadado ao declínio.

Este é um recuo inteligente para Merck e J&J. O mercado da HCV já teve seu auge. Os dois tratamentos novos teriam chegado tarde demais; tanto AbbVie quanto Gilead obtiveram a aprovação de medicamentos novos neste ano. A melhor expectativa provavelmente teria sido competir em preço em um mercado que vem brigando pelo preço há um tempo.

E o mercado está diminuindo continuamente ? os medicamentos existentes já curaram muita gente. Essa é uma boa notícia para os pacientes, mas não é uma perspectiva especialmente atraente para as farmacêuticas que pretendem investir em novos tratamentos.

É notável que a J&J e a Merck tenham recuado depois de a FDA aprovar o Mavyret, o novo medicamento da AbbVie contra a HCV, no início de agosto. Esse remédio é particularmente eficaz ? funciona em todos os subtipos genéticos da doença e pode curar muitas pessoas mais rapidamente do que a maioria dos outros medicamentos. Também é mais barato que os tratamentos concorrentes. A J&J e a Merck podem ter percebido que não poderiam competir em preço. As seguradoras provavelmente usarão o baixo custo do Mavyret para obter descontos dos concorrentes.

No entanto, os analistas de Wall Street continuam subestimando o impacto desse remédio. Suas estimativas de vendas para os medicamentos contra HCV da Gilead e da Merck em 2020 mal mudaram depois da aprovação. Eles projetam vendas modestas para o Mavyret, enquanto preveem a continuidade do domínio da Gilead e um nicho lucrativo para o Zepatier da Merck.

Isso parece ser um erro. A AbbVie aparenta estar empenhada em conquistar uma participação de mercado maior, mesmo que a guerra de preços que ela está iniciando signifique um menor nível geral de vendas de remédios contra a HCV.

O número de novos pacientes nos EUA para os medicamentos contra a HCV pode cair até 35 por cento neste ano em comparação com 2016, estima a Gilead. Esse declínio não é reversível. A HCV é uma doença que avança lentamente; os pacientes mais doentes já foram tratados, e os mais saudáveis são mais propensos a evitar esses medicamentos caros.

A ausência de mais dois tratamentos de última geração da Merck e da J&J aliviará parte da pressão sobre os preços. Isso poderia prolongar um pouco mais a rentabilidade dos remédios contra a HCV para as concorrentes restantes. Mas a tendência de queda do mercado está apenas começando.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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