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Reino Unido teme que não haja tempo para acordo sobre Brexit

Timothy Ross, Emma Ross-Thomas e Ian Wishart

(Bloomberg) -- O governo da primeira-ministra britânica Theresa May está cada vez mais preocupado com o fato de que o país poderia sair da União Europeia sem um acordo comercial, em um momento em que ambos os lados atribuem ao outro a culpa pelo avanço lento das negociações.

O bloco se recusa a discutir um pacto comercial pós-Brexit enquanto não estiver satisfeito com as condições do divórcio, e a equipe do Reino Unido receia que o tempo do prazo de negociação acabe, de acordo com representantes que pediram anonimato. O secretário do Brexit, David Davis, disse na terça-feira que continua buscando um bom acordo, mas advertiu que o país deve estar preparado caso as negociações fracassem e que estão trabalhando em Londres para se preparar para essa eventualidade.

"Um determinado exercício, dedicado a medidas de contingência, está em curso em Whitehall para que estejamos preparados para qualquer resultado", disse Davis aos membros do Partido Conservador, governante, em sua conferência em Manchester, no norte da Inglaterra. "Não porque isso seja o que buscamos, mas porque é o que precisa ser feito."

O tempo está passando e se aproxima o dia em que o Reino Unido sairá do bloco, 29 de março de 2019, após mais de quatro décadas de adesão. O país intensificou os preparativos para um fracasso absoluto das negociações, já que a UE alertou que não está satisfeita com a abordagem de May até o momento.

Sair da UE sem um acordo seria catastrófico para os negócios, porque deixaria setores inteiros em um limbo jurídico, dos mercados financeiros aos setores de viagens aéreas e de produtos farmacêuticos. As condições comerciais voltariam após décadas para as tarifas da Organização Mundial do Comércio, e caminhões poderiam se acumular nos portos aguardando verificações aduaneiras.

A Europa não discutirá o futuro do comércio enquanto não houver "progresso suficiente" nas condições do divórcio, inclusive sobre a chamada conta do Brexit, mas autoridades britânicas dizem que não têm ideia de como "o progresso suficiente" será definido. O Reino Unido concordou em cumprir a programação da UE ? primeiro o divórcio, depois o comércio ? em junho.

Distância

May aceitou que o Reino Unido pagaria suas dívidas em um discurso em Florença, na Itália, em 22 de setembro. Isso gerou certa boa vontade na Europa e permitiu o progresso nas negociações na semana passada, mas os dois lados ainda estão muito distantes em relação à conta. Ao mesmo tempo, os conservadores têm se dividido sobre que tipo de Brexit buscar, e legisladores proeminentes como o ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, estão irredutíveis em que o Reino Unido não seja feito de refém.

Na terça-feira, o negociador-chefe da UE para o Brexit, Michel Barnier, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disseram que o Reino Unido deve dar mais detalhes sobre o tipo de condições de divórcio que está disposto a aceitar ? particularmente sobre o acordo financeiro ? antes de começar as negociações sobre o comércio.

Embora o discurso de Florença tenha sido útil, "discursos não são posições de negociação", disse Juncker. O Parlamento Europeu, que tem poder de veto no acordo final, também apoiou uma resolução, afirmando que ainda não houve avanço suficiente para o acordo de saída.

Falando sob anonimato, porque as discussões foram privadas, altos funcionários agora temem que acabe o tempo para que o Reino Unido chegue à "carta de intenção" sobre um acordo comercial futuro. O Reino Unido desencadeou o chamado Artigo 50, o mecanismo jurídico de dois anos para sair da UE, em março. O problema é que ele nunca havia sido usado antes.

--Com a colaboração de Anna Edwards e Svenja O'Donnell

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