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Restaurantes contribuem menos para geração de empregos nos EUA

Shobhana Chandra e Craig Giammona

(Bloomberg) -- Os restaurantes dos EUA protagonizam uma onda de contratações nos últimos anos que ultrapassa de longe o restante da economia do país. Mas seu apetite por funcionários parece estar diminuindo.

O McDonald's e o Subway Restaurants, duas das maiores redes de fast-food da América do Norte, reduziram as inaugurações de novas lojas e fecharam alguns estabelecimentos. Redes de supermercados como a Kroger estão promovendo alimentos preparados e kits de refeições que fazem com que seja mais barato e fácil as pessoas comerem em casa. O Wendy's e o McDonald's planejam instalar centenas de quiosques para pedidos digitais até o fim do ano para aumentar as vendas em meio ao aumento dos custos da mão de obra.

O hábito de comer fora continua popular no país, mas os restaurantes enfrentam dificuldades diante da concorrência, do excesso de construções e da automação, especialmente nas redes de fast-food. As ameaças pairam sobre um setor que tem influenciado desproporcionalmente o mercado de trabalho dos EUA: desde o início da expansão, em meados de 2009, o mercado criou 2,3 milhões de empregos, ou 15 por cento da geração do setor privado, mas emprega apenas 9 por cento dos trabalhadores do setor privado.

Esse crescimento no momento parece mais moderado. O ritmo de contratação de restaurantes e bares em 2016 foi o mais fraco desde 2010 e, até esta altura do ano, vai pelo mesmo caminho em 2017. Uma desaceleração mais profunda prejudicaria os ganhos na geração de empregos, que vêm superando a maioria das projeções neste ano. Os dados do mês de setembro, afetados pelos furacões recentes, devem ser divulgados na sexta-feira.

"O melhor momento das contratações dos restaurantes ficou para trás", disse Ryan Sweet, economista da Moody's Analytics. Ele prevê que a demanda pode vir a sustentar um ritmo "bastante sólido" de contratações nos próximos anos, mas que "é pouco provável que os restaurantes possam duplicar o tipo de geração de emprego que vimos desde o início da expansão".

Milhares de restaurantes, cafés e bares abriram em todo o país quando os consumidores, em processo de recuperação após a recessão, começaram a gastar mais livremente comendo fora. Em 2015, pela primeira vez, os norte-americanos gastaram mais em restaurantes do que nos supermercados tradicionais.

Jim Phillips, gerente-geral do Studio Diner em San Diego, está de olho nos custos da mão de obra, especialmente depois que a cidade elevou o salário mínimo por hora em US$ 1, para US$ 11,50, em 2017. O restaurante reduziu sua folha de pagamentos de 75 funcionários em 2009 para 54 atualmente.

Phillips, de 57 anos, conta que está contratando menos funcionários -- às vezes pedindo para os garçons limparem mesas e para os ajudantes de garçom lavarem pratos. Ele está estudando a possibilidade de cortar completamente os ajudantes de garçom. Phillips também está avaliando comprar tablets digitais que permitiriam que os clientes fizessem os pedidos, mas o investimento seria muito alto para um único restaurante em relação à sua rede.

"É uma situação muito difícil", disse ele.

--Com a colaboração de Kristy Scheuble

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