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Risco eleitoral no Brasil amplia volatilidade

Aline Oyamada, Vinícius Andrade e Daniela Guzman

(Bloomberg) -- Medidas de volatilidade implícita do câmbio mostram que operadores estão precificando oscilações maiores para o real daqui a um ano, na época da eleição presidencial de 2018.

Como no curto prazo a expectativa é de movimentos mais suaves no câmbio, a taxa entre a volatilidade implícita de 1 ano e a de seis meses subiu para o maior patamar desde 2014.

Investidores estão preocupados que o próximo líder possa ter inclinação populista e não tenha as reformas econômicas como prioridade, principalmente após pesquisa Datafolha apontar que Lula ainda tem força após condenação.

"Os ativos brasileiros vão flutuar bastante", diz Mauricio Oreng, estrategista senior do Rabobank em São Paulo.

Oreng, que foi um dos analistas mais precisos nas projeções de câmbio no último trimestre, vê o real a R$ 3,2 por dólar no fim de dezembro e em R$ 3,4 no fim de 2018.

"O cenário mais provável é o de mais fragmentação e isso torna tudo mais incerto", diz Carlos Kawall, economista chefe do Banco Safra em São Paulo.

Para Eric Viloria, estrategista da Wells Fargo, "se o governo for percebido como menos propenso a avançar com a reforma fiscal, isso criaria um ambiente mais desafiador para o real e provavelmente restringiria avanços da moeda".

Ainda que o quadro político tenha elevado a volatilidade implícita, a maioria dos analistas vê relativa calma para o real até o fim do próximo ano. A moeda pode enfraquecer até R$ 3,15 frente ao dólar até o fim de dezembro e alcançar R$ 3,40 até o fim de 2018, segundo estimativa mediana de pesquisa Bloomberg.

Se pesquisas continuarem mostrando força de candidatos não aprovados pelos investidores, o real pode voltar aos níveis vistos no início de 2016, segundo Juliano Ferreira, estrategista do BGC Liquidez, que completa dizendo que este não é o seu cenário base.

"Os preços nos mercados hoje embutem considerável chance de um candidato da coalizão centro-direita vencer", diz.

"Caso isso não se concretize, acho que poderemos ter uma rodada de deterioração no prêmio de risco da economia, nos colocando de volta à região dos R$ 4 por dólar".

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