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Aumenta o interesse dos bancos de investimento por bitcoins

Hugh Son

(Bloomberg) -- No início, a bitcoin era uma ferramenta para fazer pagamentos sem passar pelos bancos. Agora que foram despejados mais de US$ 100 bilhões em moedas digitais, os bancos discutem se e como participar desse mercado.

Na terça-feira, o presidente do Goldman Sachs Group, Lloyd Blankfein, anunciou no Twitter que a instituição estuda a moeda virtual. Outros bancos de investimento globais estão investigando como facilitar negociações com bitcoin e concorrentes, de acordo com consultores do setor. O valor da bitcoin aumentou mais de 300 por cento neste ano, chamando a atenção de fundos de hedge e pessoas físicas endinheiradas.

"É claro que há interesse dos clientes, tanto dos investidores de varejo como dos institucionais", disse Axel Pierron, diretor-gerente da consultoria bancária Opimas. "É altamente volátil, altamente sem liquidez quando é preciso negociar volumes grandes, portanto eles enxergam oportunidade para uma nova classe de ativos que exigiria os recursos de uma grande corretora."

Mas a bitcoin apresenta um dilema a Wall Street: De que forma os bancos que, por lei precisam combater a lavagem de dinheiro, devem lidar com uma moeda não emitida por um governo e que mantém o anonimato de seus usuários?

Este debate acalorado veio a público recentemente. O presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, e o presidente da BlackRock, Larry Fink, declararam que a bitcoin é usada principalmente por criminosos. Já o presidente do Morgan Stanley, James Gorman, foi mais comedido ao dizer que a moeda é "mais do que uma modinha". Na quarta-feira, o presidente do conselho do UBS Group, Axel Weber, que já comandou o banco central alemão, se declarou cético em relação ao futuro da bitcoin por "não ser garantida por ativos subjacentes".

Dentro de alguns bancos, o clima é ainda mais tenso. No mesmo dia em que Dimon criticou a bitcoin, se referindo à mesma como "fraude", o braço de private banking da casa organizava um painel com a participação de muitos investidores em moedas digitais.

Lidar com bitcoins significa atrair o rigor dos principais órgãos reguladores dos EUA, segundo Joshua Satten, diretor de tecnologias emergentes da Sapient Consulting.

"Do ponto de vista do Tesouro americano, é para classificar como classe de ativos ou moeda?", colocou Satten. "Se os bancos começarem a administrar e guardar bitcoins para seus clientes, OCC e FDIC examinarão como os ativos são classificados no balanço patrimonial e como os ativos são contabilizados na carteira de um cliente", ele afirmou, se referindo à divisão de controle de moeda do Departamento do Tesouro dos EUA e à agência federal garantidora de depósitos, respectivamente.

China revida

Os bancos também não podem antagonizar governos cada vez mais preocupados com o assunto. Por exemplo, a China está fechando bolsas de moedas virtuais.

Outra consideração é o risco oriundo da elevada volatilidade e da falta de correlação com outros ativos de peso. "O que eles vão fazer se a bitcoin cair para determinado cliente que recebeu deles uma tonelada de alavancagem na margem e esse cliente tem somente ativos em bitcoin?", questionou Satten.

Contratos de derivativos podem ajudar neste ponto. Em agosto, a CBOE Holdings, dona da Bolsa de Opções de Chicago, anunciou planos para introduzir contratos futuros de bitcoin neste ano ou no ano que vem.

Isso pode ajudar a proteger posições por meio de estratégias de hedge. Os bancos também estudam criar derivativos e usar bitcoins no financiamento de importação e exportação sem passar pelo câmbio tradicional, disse Pierron.

O que não está em dúvida é o interesse dos investidores. O gestor de fundos de hedge Mike Novogratz planeja montar um fundo de US$ 500 milhões para investir em moedas digitais, ofertas iniciais de moedas digitais e companhias do segmento. Seria o maior fundo de um grupo que só cresce. Já existem 75 deles apostando em moedas digitais, segundo a Autonomous Research.

--Com a colaboração de Cindy Roberts

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